10 de jul de 2010

Sobre a aplicação de prova oral

Alguns de meus alunos deste semestre congelaram quando anunciei, ainda no início das aulas, que faríamos uma prova oral ao final dos trabalhos.

Ou seja, que, ao invés de eles serem avaliados como usualmente o são, por meio de escolhas em lacunas e respostas pontuais por escrito, teriam de se posicionar oralmente frente às questões a eles colocadas.

Publicamente, de maneira que seu professor e colegas também pudessem ouvir o que eles tinham a dizer a respeito do ponto em questão.

Também lhes foi comunicado que, após suas respostas, dois ou três de seus colegas concordariam ou discordariam do que eles responderiam, igualmente de forma oral, quando então o professor corroboraria, ou não, o que havia sido dito.

Dei a esse método, que desenvolvi há cerca de dois anos, e tenho aplicado sistematicamente deste então, o nome de "prova oral", pelo prosaico motivo que se tratava, efetivamente,

a) de uma avaliação,

e que esta seria realizada

b) por meio do diálogo oral para se estabelecer, com seus derivados (postura, entonação da voz etc.)

Passei a adotar a prova oral em disciplinas que exigiam um conhecimento teórico mais elaborado basicamente porque percebi, ao longo dos semestres, que, não obstante os esforços realizados pelos alunos em seus estudos, a relação entre volume de conteúdo e capacidade de assimilação era desigual.

Ou seja, pouco produtiva e, não raro, chata, cansativa; quase maçante, em especial àqueles egressos de uma formação pouco afeita ao trato com os livros.

Pois bem, se o nome "prova oral" usualmente deixa os alunos em pânico - remete a um inquisitor cruel, a palmatória na mão, diante de um aluno borrado de medo - sua prática tem se mostrado acertada quando o assunto é tornar o conhecimento comum a todo o grupo.

Por quê? Basicamente porque o método, mais que auscultar se este ou aquele aluno sabe, ainda que o faça, permite que todos compartilhem o conhecimento elaborado em conjunto ao longo do semestre.

Por este viés, se o aluno "a" não sabe a resposta, seus colegas "b" e "c" conhecem.

Caso "a" saiba, "b" e "c" podem trazer novos ângulos à mesma questão, e, se ninguém, ou apenas "a" souber, terá se apresentado uma oportunidade de reforçar eventual lacuna na formação, haja vista que, independente da respostas, o professor sempre se posiciona a respeito da questão ao final de cada rodada.

Ao final, todo o conteúdo do semestre terá sido revisitado.

O roteiro de trabalho é basicamente o seguinte:

1 O professor divide o conteúdo do semestre em tópicos, de forma que a cada aluno corresponda uma questão específica. (É preciso cuidar para que as perguntas não sejam tematicamente muito próximas, para que as respostas não invadam a questão seguinte, tornando-a desnecessária).

2 No dia da prova, as classes/carteiras devem ser dispostas em círculo, de forma que todos enxerguem-se de frente ou pelo menos na diagonal. Luz média. Temparatura em torno de 20ºC, se possível.

3 O professor aplica a questão ao aluno determinado.

4 Assim que este responde, o professor pergunta à turma quem quer se posicionar a respeito do assunto. O número de alunos a se inscrever varia conforme o tamanho da turma.

5 Encerrada a resposta, e seus complementos, o professor corrobora, ou não, o que foi dito, e passa a palavra ao próximo aluno.

É importante, por fim, que, antes de os trabalhos se iniciarem - e os alunos já estarem dispostos em círculo - que o professor faça algum exercício de relaxamento com o grupo, e que este seja divertido ao ponto de todos rirem ao seu final.

Se não contribui em termos de conteúdo, a prática ajuda a dissipar lembranças ruins e corrobora a sensação que a avaliação, enfim, pode ser algo tão bom quanto aprender algo novo, diferente.

4 comentários:

Marília Nascimento disse...

Quem já passou por mais de uma prova oral do Profe Dê, sabe que não é um bicho de sete cabeças. E, é beeem melhor do que as provas tradicionais. Boa escolha, Profe!

Demétrio de Azeredo Soster disse...

Obrigado, querida!

Guilherme Póvoas disse...

Cara, lançando moda em curso de Comunicação de novo. Enfim, é uma excelente maneira de os alunos praticarem discurso, encaixar as ideias acadêmicas com a voz. Parabéns pela iniciativa!

Demétrio de Azeredo Soster disse...

E o que é melhor: de reverem, juntos, o que estudaram ao longo do semestre, refrigerando, dessa forma, o conhecimento.