31 de jul de 2007

Norte-americanos preferem revistas on-line

Mais uma pesquisa, desta vez do Nielsen/ NetRatings, comparando índices de leituras de notícias entre analógicos e digitais, veiculada em matéria do IDG Now! Em média, 83% dos adultos norte-americanos que acessam sites de revistas do país lêem apenas o conteúdo on-line. Segue a matéria: "A avaliação envolveu as 23 revistas impressas - e seus respectivos sites - de maior circulação nos Estados Unidos. Quando consideradas individualmente, a leitura apenas da versão online das revistas fica entre 65% e 96%. A pesquisa mostrou que os homens são mais adeptos da leitura online, com 90% acessando apenas o conteúdo disponível na rede, enquanto no caso das mulheres, o total é de 83%. Houve pouca diferença de acordo com a faixa etária. Entre os adultos com idade entre 18 e 44 anos, 82% optam somente pela leitura na web, enquanto 85% dos leitores, com 45 anos de idade ou mais, preferem ler somente o conteúdo dos sites das publicações."

Leitores de jornais digitais lêem mais que os de impressos

Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Poynter em quatro cidades norte-americanas e com uma amostra de 600 pessoas, cai por terra a idéia de que os leitores de jornais digitais não lêem por inteiro seus textos, enquanto que os de jornais impressos sim. Transcrevo abaixo a matéria do Comunique-se sobre o assunto.

"O instituto norte-americano Poynter avaliou 600 pessoas para estudar a forma como lemos matérias jornalísticas. O resultado aponta que leitores de veículos de web na verdade lêem mais textos até o final do que leitores de impressos, contrariando o senso comum de que os usuários de internet lêem mais superficialmente e com menos atenção do que os de impressos. O Poynter desenvolveu o eyetrack, um óculos acoplado com câmeras que acompanham o movimento dos olhos em relação ao que se está lendo. Cada pesquisado leu por cerca de 20 minutos e foi analisado em mais de 150 variáveis levantadas pelo Poynter, determinando o ritmo de sua leitura, elementos que mais lhe chamaram a atenção na página e o percurso percorrido por seus olhos, entre outros quesitos. A proposta do instituto é oferecer a jornalistas e editores um maior conhecimento sobre como se comportam seus leitores, aperfeiçoando assim a produção de conteúdo.
O resultado da pesquisa mostra que leitores online lêem em média 77% de todos os textos começados, contra 62% em jornais convencionais e 57% em tablóides. Ademais, cerca de dois terços dos leitores de Internet finalizam os textos uma vez que comecem a lê-lo.
Outra quebra de paradigma levantada pelo estudo diz respeito à forma do texto. Textos contendo as mesmas informações foram redigidos no formato tradicional do jornalismo, capitaneados pelo lide, e também com narrativas alternativas. O resultado mostra que não só o interesse por textos escritos de forma criativa é maior, mas que também a retenção das informações nele contidas superam a do texto tradicional.
FotojornalismoA atenção dos leitores de impressos é mais atraída para fotos e títulos grandes, sendo que elementos gráficos de maior tamanho chamaram drasticamente mais atenção do que os menores. De fato, grandes fotos são o elemento que mais chamam a atenção em um jornal impresso e as pequenas, como o rosto de colunistas, foram quase completamente ignoradas. Na web, os olhos dos pesquisados se voltaram mais para elementos gráficos pequenos, destinados a chamar a atenção e dar prosseguimento à navegação dos usuários.
Ainda sobre fotojornalismo, foi levantado que imagens não-encenadas de pessoas em movimento no mundo em que vivem receberam atenção muito maior do que fotos montadas em estúdio ou elementos gráficos construídos por computador. Além disso, foi reafirmada a superioridade de conquistar um leitor das fotos coloridas sobre as em preto e branco."

30 de jul de 2007

Estudo europeu indica mais censura na internet

Esta é do Comunique-se. Caiu na minha caixa de mensagens há pouco. Sobrou até para o demente do Borat...

"A Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) apresentou uma pesquisa intitulada "Governing the Internet" (Governando a Internet, em inglês) que aponta para um aumento de mecanismos censores no meio digital. Mais de 20 países empregam leis e medidas para suprimir oposição política e dificultar o acesso digital.
A tendência está concentrada em países como Cazaquistão e Geórgia. “Medidas recentes contra a liberdade de expressão na internet, tomadas por diversos países, servem como um amargo lembrete da facilidade com que alguns regimes, tanto democracias quanto ditaduras, buscam suprimir as formas de expressão que eles desaprovam ou simplesmente temem”, afirma o relatório da OSCE, que possui 212 páginas.
As restrições estatais também chegam à China, Irã, Sudão e Belarus. “A expressão pessoal nunca foi mais fácil do que na web. Mas, ao mesmo tempo, estamos acompanhando a difusão da censura na rede”, explica o estudo.
Cazaquistão e BoratUm dos fatos pesquisados ocorreu em 2005, quando o Cazaquistão passou a ter o controle de todos os domínios “.kz”. Em seguida, um site do comediante britânico Sacha Baron Cohen foi considerado ofensivo e fechado. Cohen protagonizou o filme "Borat", um pseudodocumentário que satiriza o país.
O relatório indica que o Cazaquistão possui regras sobre o uso de internet que são imprecisas e politizadas para admitirem interpretações que permitam “uma mania de espionagem ao estilo soviético”, onde qualquer um ou qualquer organização pode ser classificada como ameaça e ser silenciada. Em relação ao estudo, Yermukhamet Yertysbayev, ministro da informação do Cazaquistão, afirmou que seu país visa cada vez mais a consolidar a democracia e expandir o uso da internet para que a mídia se torne "mais livre, contemporânea e independente".
A pesquisa não chegou a abordar casos recentes como o da Malásia e sua relação com blogueiros. Na semana passada, o governo Malaio
anunciou a criação de uma lei que tem como objetivo controlar o conteúdo divulgado em blogs."

Ataque à blogosfera

Reproduzo abaixo trecho da matéria da FSP, versão on-line, de Marco Aurélio Canônico e veiculada a 30 de julho do corrente. Sobre o historiador britânico Andrew Keen, para quem a internet está matando a cultura, tese que defende no livro "The Cult of the Amateur: How Today's Internet Is Killing Our Culture". Não gostei do tom apocalípitico (da matéria, principalmente), afinal tudo é transição - culturas nascem, crescem e mudam, em especial no jornalismo - mas é preciso ler o livro antes de qualquer comentário mais contundente. O trecho em questão:

"George Orwell não entendeu o futuro. Em seu clássico "1984", o escritor temia pelo desaparecimento do direito à expressão individual, mas, no atual mundo da internet, o verdadeiro horror é justamente o oposto: a abundância de autores e de opiniões. O raciocínio é do historiador britânico Andrew Keen, 46, ex-professor das universidades de Massachusetts e Berkeley (EUA) e um dos pioneiros do Vale do Silício, que na primeira onda da internet fundou o site de música Audiocafe.com. Keen tornou-se um dos líderes da crítica à internet graças a seu livro "The Cult of the Amateur: How Today's Internet Is Killing Our Culture" (o culto ao amador: como a internet de hoje está matando nossa cultura), recém-lançado no exterior e ainda sem edição no Brasil. Sua cruzada não é contra a tecnologia em si, mas contra a revolução da segunda geração da internet, a web 2.0, baseada na interatividade e no conteúdo gerado pelos usuários, cujos marcos são os blogs e sites como o YouTube e a Wikipedia -que, segundo Keen, estão gerando "menos cultura, menos notícias confiáveis e um caos de informações inúteis".

29 de jul de 2007

Metodologia de pesquisa em jornalismo

Livro novo na parada, moçada, by Marcia Benetti e Cláudia Lago, pela Vozes.
Copio, literal e descaradamente, o texto/divulgação do blog da Marcia Benetti, com direito a aspas e tudo:

"(...) acaba de sair pela editora Vozes o livro que eu e Cláudia Lago organizamos, “Metodologia de Pesquisa em Jornalismo”. são 12 textos de 15 autores, pesquisadores de universidades brasileiras e do exterior, trabalhando as relações entre o Jornalismo e outras disciplinas e apresentando métodos aplicados a objetos jornalísticos. é o primeiro livro especificamente voltado para o tema publicado no Brasil. penso que a relação de artigos e de autores talvez fale melhor, sobre a proposta do livro, do que qualquer texto:

“História e jornalismo: reflexões sobre campos de pesquisa”, Richard Romancini (USP)

“Antropologia e jornalismo: uma questão de método”, Cláudia Lago (Anhembi-Morumbi)

“Vertentes da economia política da comunicação e jornalismo”, Sônia Serra (UFBA)

“Sociedade, esfera pública e agendamento”, Luiz Martins da Silva (UnB)“Análise do Discurso em jornalismo: estudo de vozes e sentidos”, Marcia Benetti (UFRGS)

“Análise de Conteúdo em jornalismo”, Heloiza Golbspan Herscovitz (California State University)“

Análise pragmática da narrativa jornalística”, Luiz Gonzaga Motta (UnB)

“O SPSS e os estudos sobre os media e o jornalismo”, Isabel Ferin Cunha (Universidade de Coimbra)

“Um modelo híbrido de pesquisa: a metodologia aplicada pelo GJOL”, Elias Machado (UFSC) e Marcos Palacios (UFBA)

“O newsmaking e o trabalho de campo”, Alfredo Vizeu (UFPE)“Instantaneidade e memória na pesquisa sobre jornalismo online”, Zélia Leal Adghirni e Francilaine de Moraes (UnB)

“A invenção do Outro na mídia semanal”, José Luiz Aidar Prado e Sérgio Bairon (PUC-SP)

No prefácio, José Marques de Melo lembra a importância do rigor e da exposição das estratégias metodológicas, se quisermos constituir o Jornalismo como uma ciência ou uma disciplina que tenha legitimidade no mundo acadêmico. É exatamente o que penso. Na verdade, abomino quem usa a livre interpretação para dizer o que bem entende, sob o disfarce de um investigador que não poderia abrir mão de sua subjetividade. É indiscutível que o pesquisador está presente na formulação da hipótese e na construção da pesquisa, bem como na filiação a um paradigma teórico. Porém, é essencial empregar um método consistente para a construção de um corpus significativo e para a análise deste corpus. O livro custa 32 pilas. ou 2,60 por texto. uma bagatela."

Filmes com/sobre jornalismo

Ok: você já deletou sua comunidade do Orkut há horas porque usaram sua foto em um site pornô de quinta e acha que isso é coisa de criança.
Sem problemas.
De qualquer sorte, se você ainda estiver por lá (no orkut), e gostar de filmes em que a temática seja jornalismo, clique aqui.
A idéia é reunirmos filmes que tratem direta ou indiretamente de jornalismo, sejam eles em DVD, VHS ou o formato que for.
Há um monte de dicas bem legais sobre filmes, que, por sinal, são um excelente recurso didático em sala de aula.
E sempre vão bem com pipoca.
De lambuja, deixa uma contribuição, sem esquecer os dados do filme.

Unicom

Neste primeiro semestre de 2007 os alunos da disciplina de Produção em Mídia Impressa da Unisc elaboraram duas edições do Unicom, o jornal-laboratório do Curso de Jornalismo. Na primeira, trabalhou-se a temática estilo de vida como sinônimo de qualidade de vida. Na segunda, o exercício se voltou para a versatilidade textual. Neste caso, o foco recaiu sobre as relações nem sempre tranqüilas entre meninos e meninas. O mais bacana é que esta segunda edição deu o maior bafafá, em especial entre os que ainda acham que o jornalismo é um subproduto de ismos os mais diversos. Do que eu estou falando? Fomos acusados de sexistas e preconceituosos, para ficarmos em apenas dois carimbos mais imediatos. Mas também disseram que o resultado ficou muito bom e, sobretudo, critativo, de forma que o jornal cumpriu seu papel, que é o de não passar em branco. Nas duas edições, a interdisciplinariedade - em especial com a moçada da PP (anúncios, logotipos e ilustrações, principalmente) e da fotografia - mostrou-se fundamental para os resultados obtidos, que, por sinal, ficaram muito legais.

Edição em Jornalismo: Ensino, Teoria e Prática

Sugestão de leitura. Este livro foi organizado por este que vos escreve e pelas professoras/pesquisadoras Fabiana Piccinin e Ângela Felippi. Como o nome sugere, a idéia é discutirmos a edição em jornalismo a partir de entradas reflexivas e didáticas.
Abaixo, os detalhes:


SINOPSE
O jornalismo tem passado por grandes mudanças nas últimas décadas, resultado de processos conjunturais, ligados à globalização da economia, da cultura e das comunicações. A adequação das empresas jornalísticas às novas realidades tem se refletido nas redações: na produção da notícia, nas funções do jornalista e nas relações com fontes, anunciantes e públicos. Na esteira dessas mudanças, os processos de edição também têm se alterado. A informatização e a inserção de novas tecnologias no ambiente redacional, a redução dos quadros funcionais, associada à junção de várias funções, inclusive de editor num mesmo profissional, o surgimento da Internet e do webjornalismo, a convergência das mídias, a maior interferência do receptor na elaboração da informação, entre outras causas, têm feito com que os processos de edição não sejam os mesmos do passado e necessitem, por isso, ser revistos.O livro Edição em Jornalismo: Ensino, Teoria e Prática vem para examinar o panorama que se apresenta e tensionar essa nova reacomodação das práticas jornalísticas. Uma leitura importante para quem faz, para quem pensa e para quem ensina jornalismo.

Demais autores: Elias Machado (apresentação), Beatriz Marocco, Christa Berger, Demétrio de Azeredo Soster, Antônio Fausto Neto Formando, Thaís Furtado, Luciano Klöckner, Marcos Santuário, Márcia Franz Amaral, Ângela Felippi, Fabiana Piccinin, Flávio Porcello, Luciana Mielniczuk, Paulo Pinheiro


Ficha técnica:


Título: Edição em Jornalismo: ensino, teoria e prática Autor(es): Ângela Felippi, Demétrio de Azeredo Soster, Fabiana Piccinin (Organizadores)
Área: Ciências Humanas
Ano: 2006
Páginas: 194
Formato: 14x21 cm
ISBN 85-7578-151-0
Categoria:
Jornalismo
Preço: R$ 30,00
Código: 73716


Comprar pela internet: clique aqui.

Revista Exceção

O semestre que se encerrou há pouco foi particularmente importante para a moçada que faz jornalismo na Unisc, by Santa Cruz do Sul. Elaboramos, na cadeira de Impresso III, o segundo número da Revista Exceção, que ficou linda já a partir da capa. O trabalho foi importante, em primeiro lugar, porque buscamos exercitar aquele olhar diferenciado (e sempre em falta) que se deve ter quando do exercício da reportagem. Mas também porque dialogamos de perto com o pessoal da fotografia e da publicidade, que nos deram uma baita contribuição em termos de foto, capa, logotipia, anúncios e programação visual. A idéia foi reproduzir, em sala de aula, o que se faz na prática em termos de redação. Repito: ficou boa a revista, muito boa.







28 de jul de 2007

Pra começo de conversa

Sábado, frio de "renguear cusco", como se diz por estes lados - expressão que, por sinal, ainda não está clara quanto ao seu significado para a Sylvia Moretzsohn (esteve por esses dias em São Leopoldo) -; uma tarde em cima de planos e programas a serem preenchidos e um certo sentimento de culpa por não conseguir ir adiante: eis o que resta de ânimo neste que vos escreve.
Mas a semana foi boa. Em Santa Maria, Seminário Adelmo Genro Filho, na UFSM, com direito a lançamento do Edição em Jornalismo: Ensino, Teoria e Prática (Edunisc, 2006), organizado por mim, pela Fabiana Piccinin e pela Ângela Felippi. Um monte de gente conhecida por lá: Elias Machado, Tatiana Teixeira, Luciana Mielniczuk (este sobrenome me tira do sério!), Márcia Amaral. Valeu pegar a estrada.
E agora, depois de dez dias de férias eufemísticas - em que, entre outros, tornei-me um ser qualificado - eis-me de volta à redação. E às salas de aula, mas isso somente na semana que vem.