29 de jan de 2010

Houve uma vez um verão em Garopaba

Voltamos há pouco da praia.

De Garopaba, principalmente, onde ficamos - Fabi, eu, Verônica e Pedro - por dez dias.

No começo foi complicado: três dias de chuva intensa, que foram devidamente compensados por uma semana de sol e mar exuberantemente limpo & quente.

Sem falar na casa que ficamos, aconchegante e a 100 metros do mar.

Então deu tudo certo.

E foi bom: assamos muitos peixes na grelha (anchova, robalo, cação e um que pesquei cujo nome não faço idéia); comemos quilos de camarão ao alho e óleo, mariscos (só eu comi; a galera não aderiu); rimos, brincamos, pesquei (a galera de novo não aderiu); li um monte de bobagens; sobretudo curtimos dias bem legais em família.

Abaixo, alguns registros.

Eu e Pedro, em Garopaba. Impressionante a quantidade de milho que o rapaz conseguiu comer

Falando em Pedro, foi a primeira vez que ele viu o mar. O registro dá uma idéia do que ele achou

Meu filho tem muitas virtudes. Entre elas, a generosidade...

Fabi em momento contemplação. Ao fundo, o mar de Garopaba

E não adianta: Verônica só deve voltar a sorrir para foto (segundo ela) em julho, quando tirar o aparelho (!). Pena. O registro foi feito no Rosa

19 de jan de 2010

Volto no dia 30, refrigerado

Este blog vai dar um tempo até o dia 30.

É que o ser que vos escreve estará, a partir de amanhã, em Garopaba, à beira-mar; entupindo-se de tainhas e anchovas grelhadas, com entrada de camarão ao alho & olho, ou marisco ao bafo, ou ostras, ou..., quem sabe, por que não?, de forma que, no máximo, irá checar seus e-mails em algum ciber a cada dois, três dias, mas nada além disso.

Era isso.

Fiquem bem.

Nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno

Se, de um lado, a revista Superinteressante inova ao incorporar, em sua publicidade,a mesma estética conceitual que aplica em seu corpo editorial, penso que peca quando dilui quase que totalmente as fronteiras entre o que é publicidade e o que é jornalismo.

Digo isso porque está cada vez mais complicado distinguir o que é matéria do que é publicidade na revista, haja vista que ambas são elaboradas com o mesmo padrão estético-visual.

Os que me conhecem sabem que, por dever de ofício e compreensão do processo, prática e teórica, não tenho bronca alguma com publicidade e jornalismo em um mesmo contexto. Pelo contrário: são instâncias complementares, ao invés de antagônicas, como se pensava antigamente.

Por serem complementares, sob outro ângulo, exigem uma perícia editorial (e publicitária) muito grande, para que, ao final, ao invés de indução haja estímulo, coisa que, aos meus olhos, a Super não está conseguindo fazer bem.

De qualquer sorte, esta fusão traz novidades interessantes. Entre estas a possibilidade de incorporarmos, em nossos blogs, os infos produzidos pelo pessoal da publicidade da Petrobras já disponibilizados na revista por meio do site Por dentro da tecnologia.

Foi o que fiz no exemplo abaixo.

18 de jan de 2010

Pedro, o pé-de-valsa (ou seria vanerão?)

Pedro, meu filho, é uma figura e tanto.

Tipo assim: tarde dessas lá estava ele, na escolinha; na dele, quando foi tocado pelo ritmo da "cordeona".

Como quem puxa aos seus não degenera (!), o moleque não se fez de rogado; arregaçou as fraldas e puxou Maria Clara, coleguinha de turma, para o baile.

E mandaram ver!

Observe que o rapazinho, lá pelas tantas, aparentemente se atrapalha e fica confuso, mas é puro jogo de cena: logo em seguida, emenda um misto de chula com street dance e deixa uma vez mais seu nome marcado na história.

Desta vez, como Pedro, o pé-de-valsa da escola.

Não acredita? Que falem as imagens:

Dez dias que abalaram o mundo

A semana se inicia com uma dica de leitura: Dez dias que abalaram o mundo, de John Reed (L&PM, 2002). Edição de bolso, baratinha e prática, portanto; sobretudo, fundamental a quem se interessa por jornalismo.

Aparentemente, o livro apenas conta a história da Revolução de 1917, que se inicia quando a Rússia, debilitada pelo esforço da Primeira Guerra, entra em um período de convulsão social e mais tarde acaba por dizer adeus à era dos czares por meio do regime socialista.

Digo aparentemente porque o que temos aqui é mais que o relato de um dos momentos históricos mais importantes do século 20: trata-se de uma evidência fundamental da diferença que o jornalismo representa à sociedade.

O relato de Reed, norte-americano, permite que saibamos, para além dos fatos históricos, detalhes que usualmente não freqüentam os livros. E que são, no entanto, fundamentais, para uma compreensão mais larga do que houve por aqueles lados.

Isso é possível por meio da descrição de detalhes aparentemente sem importância, como a alegria dos soldados quando começava a nevar (afinal, neve era sinônimo de saúde), passando pelo que ocorria nas infindáveis discussões políticas (modo de se vestir, comer, o que fumavam, onde dormiam os revoltosos etc.), até o choque cultural que se estabeleceu entre a burguesia e o proletariado quando este tomou o poder.

Ou seja, jornalismo na veia.

Mais que isso, como de hábito, só lendo o livro.

16 de jan de 2010

A primeira (grande) queda de Pedro

Pedro ontem nos deu o primeiro grande susto: caiu e cortou o queixo. Na garagem aqui de casa.

Nada que um curativo sem necessidade de pontos no pronto-socorro não resolvesse, mas o suficiente para deixar a Fabi e a Verônica em pânico.

E quanto a mim? Bem, estava no cinema naquele momento.

Como deixei meu celular no silencioso, não notei absolutamente nada de anormal. Não antes de o filme se encerrar.

O fato é que havia seis ligações não atendidas, de casa e do celular da Fabi.

Quando Verônica contou o que houve com seu irmão, liguei para a Fabi para saber onde estavam e voei para o hospital.

Encontrei ela e Pedro saindo da emergência. Ele rindo, com um curativo no queixo; ela, com os olhos arregalados.

Tudo certo, então.

Em tempo: estava assistindo Atividade paranormal.

14 de jan de 2010

Minha fama de mau

Quando comprei este livro, confesso que esperava algumas coisas bem diferentes do que acabei por encontrar.

Esperava, em primeiro lugar, que a biografia fosse de natureza jornalística (comprei em um pacote, sem prestar atenção no óbvio), e que se encaixasse, portanto, na pesquisa que estou realizando sobre jornalismo diversional.

Em o sendo, e conhecendo bem o personagem (eu e a torcida do Flamengo, diga-se), que o fizesse nos moldes dos livros deste gênero, qual seja, com capítulos construídos a partir de critérios como singularidade; com uma linha de tempo estabelecida a partir da importância que os eventos se sucediam na narrativa e por aí afora.

O que encontrei em Minha Fama de Mau (Objetiva, 2009), no entanto, foi algo bem diferente.

A começar pelo fato que o narrador é um misto de protagonista e testemunha, ou seja, é o próprio Erasmo Tremendão Carlos quem comanda as tintas. Em primeiro pessoa.

Por ser assim, e por se tratar de sua própria vida - e aqui o público e o privado se misturam o tempo inteiro -, ele escreve literalmente sobre o que acha importante, e não necessariamente sobre o que pode ser considerado importante do ponto de vista de quem lê.

Assim, o texto, mais que uma autobiografia, é uma espécie de diário íntimo da vida de Erasmo Carlos.

Talvez isso explique, quem sabe, porque achei o livro beeeeem chato até a metade (sabe o cara que, apesar das dificuldades, sempre se dá bem e come um monte de guriazinhas e outras nem tanto e ainda por cima faz sucesso? É o caso.) e beeem interessante daí para a frente (quando a parte artística entra em cena com mais ênfase).

Saliento este aspecto porque ele possibilita, a um leitor desavisado, que não se olhe com mais atenção as informações do texto, como se efetivamente fosse algo apenas da ordem do umbigo de quem escreve, auto-centrado demais.

Trata-se, a biografia, na verdade, de um registro muito importante do cenário cultural que Erasmo, Roberto e tantos outros, Carlos ou não, construíram; cenário este que criou a base para o que entendemos hoje por Música Popular Brasileira em sua confluência com o rock. Ao lado, claro, das vertentes mais tradicionais, tipo samba, choro etc.

Isso fica claro, por exemplo, quando do encontro da Jovem Guarda (que estava acabando) com o povo da Tropicália (que começava a nascer), lá pela página 195.

Os juízes de plantão vaiaram os primeiros e aplaudiram os segundos; chamando aqueles de reacionários e estes de vanguarda, modernos.

Já os protagonistas - de um lado Erasmo, Roberto Carlos e Wanderléia; de outro, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Chico Buarque - compreenderam como poucos o que estava acontecendo. Sobretudo, respeitaram-se.

Isso para ficarmos em apenas um exemplo.

Vale a pena ler o livro. É uma obra sincera, que se expõe sem receitos e que fala de um dos personagens mais importantes no cenário artístico nacional a partir dele mesmo.

E que poderia, insisto, ser mais ampla, caso tivesse sido delegada a um olhar especialista (Fernando Moraes, por exemplo).

Mas aí talvez estivéssemos falando de outro livro.

12 de jan de 2010

Divulgação do pós Edição em Jornalismo

Acabo de receber, da secretaria de pós-graduação da Unisc, onde leciono, o material impresso de divulgação do pós Edição em Jornalismo, cujas aulas se iniciam dia 9 de abril.

No início de fevereiro, assim que retornar de minhas férias (afinal, descansar também é preciso), farei um roteiro pelas principais universidades, redações, assessorias de imprensa e locais onde o trabalho jornalístico se faz necessário para divulgar pessoalmente o curso.

Enquanto isso, vamos trabalhando on-line.

As inscrições podem ser feitas até o dia 14 de março, no site do pós.

Também já estamos no twitter. Siga-nos.

O que se pretende, com o pós, é a construção de uma compreensão teórico-conceitual do que representa a edição em jornalismo. Em especial no que a função tem de viabilizadora do processo jornalístico como um todo.

Abaixo, frente e verso do folder de divulgação. Clique nas imagens para vê-las de forma mais ampla.



7 de jan de 2010

Sobre estátuas, santos e homenagens

Não entendo porque Santa Cruz do Sul, a cidade pra lá de bacana onde moro com minha família, tenha de ganhar uma estátua de São João Batista com 38 metros de altura. É mais ou menos a altura do Cristo Redentor, no Rio.

Sou contra por pelo menos quatro motivos, a saber:

Em primeiro lugar porque, mesmo em ele sendo o padroeiro da cidade, o Estado brasileiro (sentido de poder público) é laico, ou seja, não tem religião oficial.

Também significa, por outras palavras, que todos os que vivem sob as leis brasileiras são livres para acreditar/venerar quem e o quer que seja.

Neste sentido, aos meus olhos soa desrespeitosa esta, digamos assim, exacerbação de determinado ponto de vista, a revelia do credo que represente.

Por o estado brasileiro não ter religião, e eis o segundo motivo de meu descontentamento, não vejo, como cidadão deste município, motivo algum para se gastar dinheiro público com uma estátua de santo, independente da religião que ele represente.

Se isso; se essa "homenagem" tiver de ser feita, que o seja com dinheiro da própria igreja que representa o santo, ou, ainda, privado, mas não por meio de verba pública.

Por outro lado, se é para se investir no Turismo em Santa Cruz do Sul, a partir de rubrica federal existente especialmente para este propósito, como tem sido alegado, que isso seja feito efetivamente no desenvolvimento deste setor tão vital para nossa comunidade.

Placas que digam aos turistas que aqui chegam como se locomover pela cidade e o que encontrar nela já ajudam, e saem bem mais em conta.

Acho, por fim, e eis o quarto motivo, de muito mau gosto obras desta natureza e proporção, basicamente porque chamam atenção mais pelo que têm de exótico que por seus méritos estéticos-conceituais. São feias, enfim.

É minha opinião, é meu ponto de vista.

E não adianta: não tecerei um comentário sequer sobre o fato de o tal santo ser bem parecido com o deputado federal Sérgio Moraes (PTB), marido da prefeita Kelly Moraes (PTB), que quer construir a tal estátua.

Muito menos sobre o local onde a estátua será/ia construída: Cerro Alegre, onde o referido deputado passou a infância.

6 de jan de 2010

Eis que Pedro vai à escola

A data de hoje é muito especial para todos nós aqui em casa: no início da tarde, devidamente acompanhado da Fabi, sua mãe zelosa (e de sua mochila nova), Pedro, nosso filho, viveu seu primeiro dia de escola.

Ficamos - eu, Verônica (irmã de Pedro) e Déti, nossa fiel escudeira - na maior expectativa.

Tipo assim: até então, a convivência de Pedro se deu basicamente com o povo aqui de casa, e com amigos eventuais, boa parte deles bebês, o que equivale a dizer que tudo poderia acontecer hoje.

Inclusive dar errado.

Veja com seus próprios olhos o que aconteceu:

5 de jan de 2010

Vídeo divulga pós-graduação da Unisc

O vídeo abaixo, "estrelado" por minha amiga e colega Roberta Pereira - gerente de unidade operacional do SESC em Santa Cruz do Sul - foi realizado pelos pessoal da Assessoria de Comunicação da Unisc para divulgar os cursos de pós-graduação da universidade.

É o caso, por exemplo, do Edição em Jornalismo, que coordeno.

Se preferir acompanhar pelo twitter, venha por aqui.

O vídeo:



Os merecidos créditos:
Criação: Agência da Casa -Assessoria de Comunicação e Marketting
COORDENAÇÃO: Everson de Carvalho Bello
CRIAÇÃO: Everton Teixeira, Bruno Seidel
ASSISTENTE DE CRIAÇÃO: Denis Ricardo
MIDIA: Priscila Midon
ATENDIMENTO: JULIANA LEAL
REALIZAÇÃO: Draw Produtora
DIREÇÃO EXECUTIVA: Felippe Plümer
ROTEIRO: Asscom Unisc
DIREÇÃO: Jojow Pritsch

4 de jan de 2010

Gafe de Bóris é midiatizada

Uma das características daquele que chamo jornalismo midiatizado é o fato de a mídia, quando imersa em uma estrutura de rede, usar cada vez mais a própria mídia como fonte de suas matérias.

Este movimento, de natureza auto-referencial, não chega a ser bem uma novidade, mas ganha contornos diferenciados no atual momento evolutivo do jornalismo, basicamente porque reconfigura suas mais diversas instâncias.

É o que se pode observar com o vídeo abaixo, veiculado pelo UOL. Sobre uma gafe que Boris Casoy, âncora da Band, cometeu.

Contextualizando: a emissora exibiu uma matéria, Bóris disse uma bobagem qualquer por trás das câmeras e o áudio acabou vazando. O UOL valeu-se deste vazamento e transformou o comentário em matéria. Ou seja, acontecimento de natureza jornalística. Mas também em munição na briga por audiência entre as emissoras (o UOL é do grupo Folha, concorrente da Band).

Deixando de lado a, digamos assim, grosseria de Bóris, também chama atenção o quão tosco é o vídeo.

Vejam com seus próprios olhos. Ouçam com seus próprios ouvidos.

2 de jan de 2010

O ponto-e-vírgula vive!

Aos que, como eu, não conseguem viver sem alguns sinais de pontuação, caso do ponto-e-vírgula, recomendo a leitura da coluna de Zero Hora O prazer das palavras deste sábado, O ponto-e-vírgula vive!, de autoria de Cláudio Moreno.

Trata-se da continuação de um texto veiculado no mesmo jornal a 12 de dezembro de 2009, homônimo.

Tipo assim: você pode não gostar do ponto-e-vírgula; simplesmente não usá-lo,ou, ainda, ignorá-lo propositalmente.

É seu direito.

Complicado é compreender porque algumas pessoas o combatem, como se ele fosse efetivamente uma espécie de mal a ser extirpado.

Do trema falo mais adiante.

1 de jan de 2010

Páginas ampliadas: primeira leitura

Páginas ampliadas: o livro-reportagem como extensão do jornalismo e da literatura (Manole, 2009) é leitura necessária, por relevante, para os que, como eu, interessam-se pela aproximação jornalismo/literatura.

Estou, neste primeiro dia do ano da graça de 2010, na página 205, e reitero a importância do texto, em especial pelo cruzamento teórico que Edvaldo Pereira Lima, o autor, realiza para dar conta do tema: o imbricamento entre as teorias Geral dos Sistemas, nos moldes de Ludwig von Bertalanffy, e do Jornalismo.

Destaco a aproximação, sem me referir (ainda) ao conteúdo do livro, porque fiz, há pouco, algo parecido em minha tese.

O que incomoda um pouco, mesmo considerando que o livro é a adaptação da tese de doutorado do autor, em 1990, na ECA/USP, o que implica em ajustes os mais diversos, é que, até aqui, não há uma linha sequer sobre Niklas Luhmann.

Mas é cedo ainda. Voltarei a comentar o livro com mais propriedade e para além de meu umbigo quando tiver concluído a leitura. Por hora fica este registro.