29 de mai de 2009

Alunos exercitam telewebjornalismo

Ao passo que o mercado ainda se digladia entre a autonomia e o outsourcing quando o assunto é telewebjornalismo, conforme discorri em capítulo do livro Edição de Imagens em Jornalismo (Edunisc, 2008), a alunada vai mostrando ao mundo o que pode quando o assunto é imagens em movimento na web. No Blog Papos de Quinta, que usamos como apoio à disciplina de Jornalismo On-line da Unisc, onde também leciono, veiculamos esta semana o terceiro blog do teleweb Papos de Quinta. Na Unisinos, onde realizamos jornalismo comunitário por meio do jornal Enfoque Vila Brás (em papel), dispomos de uma interface digital - o Blog Enfoque Vila Brás, também trabalhamos imagens em movimento. Em síntese, o que estamos fazendo em sala de aula não é nada mais nada menos que antecipar aquilo que o jornalismo está nos exigindo cada vez mais em termos de mercado de trabalho. Ou seja, dar conta inclusive da produção de imagens em movimento. A diferença é que nem todos os jornais, ou revistas, têm condições de contratar serviços caros junto a empresas especializadas, delegando a tarefa aos seus jornalistas.

28 de mai de 2009

Jornalista da ZH palestra na Unisc

Na quarta-feira o amigo, colega e ex-aluno da Unisc, onde também leciono, Mauro Graeff Júnior, esteve visitando a turma de Técnicas de Reportagem do curso de Jornalismo. Foi uma manhã muito produtiva, repleta de intervenções por parte dos alunos e relatos de experiências de natureza jornalística, e que certamente ficará marcada na memória da gurizada, por boa.

Em termos de currículo, Mauro se formou pela Unisc em 2003. Começou a trabalhar no jornal O Correio, de Cachoeira do Sul; depois, Jornal de Candelária, de Candelária; NH, de Novo Hamburgo, e está desde 2005 na Zero Hora, entre sucursais do interior e capital. Ganhou cinco prêmios jornalíticos, entre estes o CHN de Jornalismo Econômico e o ARI de 2007.

Na foto, estou entregando um pouco de nossa produção acadêmica na Unisc, neste caso exemplares do jornal-laboratório Unicom e da Exceção, além de um exemplar do livro Edição de Imagens em Jornalismo (Edunisc, 2008).

25 de mai de 2009

Alunos realizam oficina de jornalismo comunitário

Publico na íntegra, por relevante, release dando conta do que a moçada do curso de Jornalismo da Unisc, onde também leciono, anda aprontando:

Nos últimos dois meses, os alunos do Curso de Jornalismo da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) Rozana Ellwanger e Sancler Ebert (foto) desenvolveram oficinas de jornalismo comunitário com um grupo de cinco adolescentes do bairro Coronel Brito, de Venâncio Aires. O resultado dos mais de 15 encontros com os jovens já está sendo distribuído em Venâncio Aires e Santa Cruz do Sul: a primeira edição do jornal Tô Limpo. A publicação, com quatro páginas, é resultado das aulas de texto jornalístico e fotografia, ministradas pelos estudantes para cinco jovens, com idades entre 13 e 17 anos, atendidos no centro de recuperação para dependentes químicos Movimento Restaurando Vidas (Morev), localizado junto à Igreja Assembleia de Deus.

A intenção dos coordenadores das oficinas, realizadas como Projeto Experimental em Jornalismo, foi proporcionar aos jovens a oportunidade de participar de atividades diferentes, além de lhes dar a chance de se expressarem através do jornalismo. “Nossa intenção era mostrar a eles um jeito novo de ver a sua realidade, o mundo que os cerca, e acredito que conseguimos isso”, afirma Sancler Ebert. A prova do bom resultado alcançado é a publicação Tô Limpo, produzida pelos adolescentes. “Eles tiveram nossa orientação e supervisão, mas foram eles que escolheram o nome do jornal, as pautas, fizeram as entrevistas, os textos e as fotos. Ou seja, o jornal é deles”, completa Rozana.

A realização das oficinas e a publicação do Tô Limpo contaram com o apoio da Coordenação do Curso de Comunicação Social da Unisc e da Gráfica Traço, que imprimiu o jornal gratuitamente.

DOCUMENTÁRIO
Paralelo às oficinas de jornalismo, Rozana e Sancler estão produzindo um documentário a fim de mostrar como foi a convivência e o trabalho realizado nesses dois meses, além do dia-a-dia dos jovens que participaram das oficinas. Com o encerramento das oficinas e da captação das imagens, o documentário intitulado provisoriamente “Meninos do Pastor” encontra-se em fase de edição. A previsão é de que o filme esteja pronto dentro de um mês.

Para a gravação do documentário, Sancler e Rozana contaram ainda com o trabalho dos funcionários da Unisc TV, Valmor Emmel e Pablo Melo, além do estudante de Produção em Mídia Audiovisual Gibran Sirena, responsáveis, junto com os coordenadores das oficinas, pela captação das imagens.

24 de mai de 2009

VII SBPjor abre chamada de trabalhos

Transcrevo e-mail que acabo de receber de Marcia Benetti, diretora científica ds SBPJor, chamando para o VII Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo. O encontro se realiza na Universidade de São Paulo (USP), de 25 a 27 de novembro, e terá como tema “A pesquisa em jornalismo em um mundo em transformação”. Abaixo, os detalhes do evento.

1. Modalidades de apresentação:
Os trabalhos poderão ser encaminhados na forma de Comunicações Livres ou Comunicações Coordenadas.

2. Comunicações Livres:
O autor deve encaminhar o texto completo, que deve conter de 20 mil a 35 mil caracteres (com espaço), já inclusas as referências bibliográficas e notas de rodapé. São obrigatórios os seguintes itens: título, resumo de até 10 linhas, 5 palavras-chave, resumo do currículo do autor em até 3 linhas (incluindo sua vinculação institucional). O texto deve ser redigido em fonte Times New Roman, corpo 12, entrelinhamento 1,5. Citações recuadas devem ser redigidas em corpo 10, espaço simples.

O autor deve redigir seu texto utilizando o modelo elaborado para o encontro. O modelo está disponível para download na página de inscrições.

O tamanho total do arquivo não deve exceder 2 Mb (dois megabytes).

3. Comunicações Coordenadas:
As Comunicações Coordenadas poderão ser propostas por associados plenos (doutores) da SBPJor. Cada Coordenada deve ter de quatro a seis trabalhos, com autores de pelo menos três diferentes instituições. O proponente deverá ser um dos autores. São obrigatórios os seguintes itens: título da Comunicação Coordenada, ementa que sintetize e justifique a proposta da Comunicação Coordenada (10 a 15 linhas), 5 palavras-chave. Todos os textos que compõem a Comunicação Coordenada deverão ser encaminhados completos, seguindo as mesmas regras estabelecidas para as Comunicações Livres no item 2 (incluindo resumo, palavras-chave e currículo resumido do autor).

4. Prazo e forma de encaminhamento:
Os trabalhos serão recebidos de 01 de julho a 03 de agosto de 2009, através da página www.sbpjor.org.br. Não haverá prorrogação de prazo. Não é necessário pagar inscrição para submeter trabalhos.

5. Seleção:
As Comunicações Livres que estiverem adequadas às regras estabelecidas no item 2 serão avaliadas em seu mérito científico por pelo menos dois pareceristas indicados pela Diretoria Científica entre os associados plenos (doutores) da SBPJor. Serão consideradas aprovadas as comunicações que receberem dois pareceres favoráveis. Casos de empate serão decididos por um terceiro parecerista ou, na falta de tempo hábil, pela diretora científica. Trabalhos que estiverem fora do tamanho e/ou não cumprirem os itens obrigatórios não serão submetidos a avaliação.

As Comunicações Coordenadas que estiverem adequadas às regras estabelecidas nos itens 2 e 3 serão avaliadas em seu mérito científico por pelo menos dois membros do Conselho Científico da SBPJor ou da Diretoria Executiva da entidade. Serão aprovadas as comunicações que receberem dois pareceres favoráveis. Casos de empate serão decididos por um terceiro membro do Conselho Científico ou, na falta de tempo hábil, pela diretora científica. A proposta de Coordenada poderá ser aprovada no todo ou em parte, havendo possibilidade de recusa individual. Se os trabalhos não forem aprovados como Coordenada, mas o forem individualmente, serão automaticamente distribuídos entre as Comunicações Livres.

Todos os trabalhos serão enviados aos avaliadores sem identificação de autoria, gerando “pareceres cegos”.

6. Critérios de avaliação:
O trabalho será avaliado sob os seguintes critérios gerais: pertinência ao campo da pesquisa em jornalismo, relevância científica, explicitação do problema ou objetivo, adequação e atualização da bibliografia, qualidade da reflexão teórica, explicitação e consistência da metodologia (quando pertinente), domínio da linguagem científica, adequação do título e das palavras-chave ao objeto de estudo.

7. Observações:
7.1. Os trabalhos necessariamente devem ser inéditos. Por inéditos, compreendem-se textos que não foram publicados ou divulgados em qualquer tipo de suporte, nem apresentados em outros congressos científicos. O autor que descumprir esta regra, e por ventura tiver seu trabalho selecionado e incluído nos anais do VII Encontro, ficará automaticamente impedido de apresentar trabalho no VIII Encontro da SBPJor.

7.2. Cada autor só pode submeter um trabalho, em autoria única ou co-autoria. Não é permitido ao mesmo autor participar simultaneamente de uma Comunicação Coordenada e de uma Comunicação Livre, mesmo em co-autoria.

7.3. Trabalhos de graduandos só serão aceitos em regime de co-autoria com graduados.

8. Resultados:
Os resultados da seleção serão comunicados aos autores das Comunicações Livres e aos proponentes das Comunicações Coordenadas até 25 de setembro de 2009. Os trabalhos serão aprovados ou recusados, não havendo aceite condicionado a reformulações.

9. Inclusão nos anais:
Só será incluído nos anais o trabalho do autor que efetivar sua inscrição no congresso até o dia 15 de outubro de 2009".

Entrevista do Mais! analisa Silvio Santos e Maisa

O texto, apesar de resumido, é longo para os padrões deste blog, mas o ping-pong de Cyrus Afshar, repórter da Folha, com Ivana Bentes, professora do programa de pós-graduação da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é muito interessante. Basicamente porque analisa o que ocorre com valores até então caros para todos nós em um contexto de profunda imersão midiática da sociedade. Então penso que vale a pena conferir a matéria do Mais! deste domingo. Ela tem por objeto o apresentador Silvio Santos, do SBT, e Maisa, a menina que divide um dos quadros do programa com ele. "Na casa do padrão" observa, desde a linha de apoio, que espontaneidade e humilhação em um mesmo contexto midiático representam, com tudo o que isso possa significar, a sociedade contemporânea. A matéria:

Ela acaba de completar sete anos, mas já tem mais de três anos de experiência profissional, e seu trabalho já é conhecido em todo o país. Maisa comanda um programa no SBT e, aos domingos, é protagonista de um quadro em que conversa longamente com ninguém menos que seu patrão, Silvio Santos, e ajuda a alavancar a audiência do restante da programação. Mas, nas duas últimas semanas, o quadro dominical foi palco de cenas ao vivo de gritos e choros da criança.
"A questão é saber quando acaba o lúdico e o adorável e começa a perversão e a monstruosidade dessa situação-mídia", provoca Ivana Bentes, professora do programa de pós-graduação da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Na entrevista concedida à Folha, por e-mail, Bentes explica alguns dos mecanismos de funcionamento da apropriação da imagem de novas celebridades, o comportamento do público e a importância da internet para o processo de espetacularização.


O que está acontecendo com a menina Maisa é um caso de exploração midiática?
IVANA BENTES -
"Exploração midiática" é quase uma redundância. A expropriação/apropriação é base de funcionamento do próprio regime midiático em que nós, telespectadores, somos a matéria-prima em diferentes sentidos.
Na busca de criar fatos midiáticos incessantemente, capturar nossa atenção e comprar nosso tempo, a televisão convoca, explora e mobiliza nossos afetos, nossa atenção.
O espectador é o primeiro "explorado" pela publicidade, pela ficção, pelas "atrações". Somos nós que emprestamos nosso tempo, nossa subjetividade e nosso imaginário para criar valor na TV.
Ou seja, o que a mídia vende/explora não é a publicidade -somos nós mesmos.
E, para isso, precisa minimamente que essa audiência se conecte, se deixe afetar por um personagem, uma situação, que crie hábitos e possa voltar -criando um sentimento de pertencimento a uma "comunidade imaginada". Aí se chega a Maisa, a menina-prodígio do SBT, a "menina-monstro" como definiu ironicamente, mas com precisão, o "Pânico na TV". A garota é realmente adorável e "monstruosa" ao mesmo tempo. Tem a dupla face da mídia atual, que incorpora e utiliza o mais "espontâneo", o íntimo, a gafe, o erro, o choro e todo tipo de assujeitamento e humilhação como matéria altamente valorizada. Isso sem abandonar a celebração do visível, da formalidade e da encenação.
Não é à toa que os vídeos de Maisa estão no YouTube anunciem "pérolas de Maisa", gafes de Maisa, micos de Maisa, choro de Maisa, tropeços etc. A questão é saber onde acaba o lúdico e o adorável e começa a perversão e a monstruosidade dessa situação-mídia. Não se trata de julgar nem de moralizar "este" caso, num momento em que o valor de "exposição" da vida, da intimidade, da subjetividade na TV, na internet ou em qualquer outra mídia é um valor em si. A visibilidade é um bem altamente valorizado e disputado -"naturalizado". É preciso justamente desnaturalizar esse novo regime midiático que não para de testar os limites do tolerável e do aceitável.

Nesse contexto (de exploração midiática), qual é o papel da mãe? E o do apresentador?
BENTES -
Não é difícil entender o seu nível de satisfação/excitação do pai e da mãe da menina (satisfação simbólica e real, com sua galinha dos ovos de ouro mirim). E o apresentador/dono da emissora cumpre o mesmo papel de outros homens de negócio de TVs abertas que vendem "produtos" tão ou mais discutíveis e monstruosos: homofobia, intolerância religiosa, espetáculos de descarrego e expulsão de demônios dos corpos, preconceito racial, condenações morais, denuncismo, criminalização da pobreza e dos pobres e toda uma pauta conservadora e moralista. A questão que importa é saber qual o papel da "comunidade" de telespectadores e da sociedade diante desse quadro.

Como tem sido e como deveria ser o tratamento dado pela mídia neste caso?
BENTES - A televisão não tem programa de debate e de discussão do seu próprio conteúdo. A TV não dá direito de resposta, o que é escandaloso. Confunde audiência com legitimidade social e qualidade. Daí que não vi na mídia (com raras exceções, como a coluna de Bia Abramo do dia 17/5, na Folha) nenhuma discussão sobre os limites e constrangimentos de colocar uma criança de seis anos no horário nobre de domingo falando de "pum", gases, bunda, meleca. E, ao mesmo tempo, tendo que responder sobre assuntos extremamente complexos, como outras celebridades televisivas, profissões, afetos, casamento, Deus e infidelidade. E sempre constrangida por Silvio Santos até o limite do embaraço, do choro ou da mudez com reprimendas, ameaças, provocações.

Pessoas antes quase desconhecidas são alçadas rapidamente à condição de celebridades por conta dos milhões de acessos, casos da escocesa Susan Boyle, de Cris Nicolotti e de Maisa. Qual a importância hoje da internet no processo de criação das celebridades?
BENTES -
"Celebridade" talvez seja um nome antigo (coisa do século passado, de mídias "modernas", como cinema e TV) para descrever os processos da visibilidade contemporânea. A internet e o YouTube criaram um novo público, pós-televisivo, um consumidor-produtor superativo, que clica tudo e que vê tudo -sem dúvida é uma nova força. O YouTube é genial porque é o esgoto público das imagens, onde é possível experimentar o que há de mais potente e monstruoso (no sentido positivo e negativo dos excessos e das exceções) na multidão de usuários, sem mediação. Sem o "patrão", como Silvio Santos se apresenta para a menina Maisa no SBT, num dos quadros.

Quando procuramos vídeos da artista mirim no YouTube, o site remete a entradas como "Maisa chorando", "Maisa chora" e "Maisa peidando", a partir das buscas mais realizadas. Os fãs sentem prazer em ver celebridades em situações constrangedoras?
BENTES -
Trata-se de um fenômeno bem mais amplo e disseminado de midiatizacão, comercialização da intimidade e da "visibilidade". A partir do momento em que ruiu a barreira entre intimidade e publicidade, em que se esgarçou o limite entre público e privado, o que poderia ser constrangedor? Maisa chorando, Daniela Ciccarelli transando na praia, a cabeça de Saddam Hussein rolando, os exames de saúde da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em jornais assistidos por milhares de pessoas? Exibir a intimidade vem deixando de ser um constrangimento para se tornar um "valor". A intimidade na era da sua visibilidade máxima e as tecnologias de exibição de si são uma característica geral e uma exigência do capitalismo contemporâneo.

O caso da construção da ex-atriz Shirley Temple é paradigmático para entender a situação atual deste caso?
BENTES -
Bem, o visual da apresentadora mirim do SBT parece inspirado nos vestidinhos de babados e cabelos cacheados da mais famosa menina-prodígio de Hollywood. Mas é preciso lembrar que Shirley Temple é um produto da máquina fordista hollywoodiana, dos anos 1930 e 1940, de um capitalismo disciplinar e disciplinador em que a ideia de "infância" e "criança" ainda estava bem delimitada e definida.
Hoje, quando foram desenvolvidos produtos midiáticos para crianças de zero a um ano -como os Teletubbies, que aceleram os processos cognitivos enquanto ensinam a criança a desejar e a consumir-, a comparação com Shirley Temple talvez não seja apropriada.
Pois o capitalismo contemporâneo tem necessidade de incluir e modular todos, desde o ano zero e mesmo antes do nascimento. O aprendizado se faz pela mídia -com o fim dos tempos "mortos" da infância, de ócio e lazer, em nome de uma hiperprodutividade infantil- e por adestramento precoce, cujo modelo visível Maisa encarna.
O assustador é que a subjetividade-Maisa é o modelo de criança e de infância em via de se universalizar.
São muitos os indícios: o assédio e crescimento da publicidade infantil, sem controle no Brasil; a invasão de bichinhos e desenhos animados em anúncios de cerveja, carros, criando uma sensibilidade precoce e formando consumidores futuros, a erotização do universo infantil dissociada, mais tarde, do abuso sexual por adultos e da violência contra crianças. Enfim, a garota-prodígio do SBT aponta para antigas questões e novos limites, em torno da intimidade, da visibilidade, da infância. Nesse sentido é uma menina-modelo, exemplar de uma série de transformações.

Rede sociais na internet

Recebo newsletter da Editora Sulina dando conta de um lançamento muito importante, o Redes Sociais na Internet (Sulina, 2009), de Raquel Recuero. Transcrevo trecho da newsletter: "O livro de Raquel Recuero trata de um fenômeno que toca milhares de usuários ao redor do mundo, as redes sociais na Internet. Se você tem um perfil no Orkut ou no Facebook, se lê ou produz um blog, se coloca pílulas de seu quotidiano no Twitter, se lança fotos no Flickr ou em Fotologs ou vídeos no YouTube, se acessa redes profissionais no LinkedIn ou participa de fóruns ou grupos de discussão, a leitura deste livro é imprescindível".

A ficha do livro
Preço de Capa: R$ 30,00
Nº de páginas: 191
ISBN: 978-85-205-0525-0

Raquel Recuero é jornalista, doutora em Comunicação e Informação (UFRGS) e professora do Programa de Pós-Graduação em Letras e da faculdade de Comunicação Social da Universidade Católica de Pelotas. É também pesquisadora vinculada ao CNPq, trabalhando com redes sociais na Internet desde 2002.

Por fim, vale lembrar que Raquel Recuero estará conosco no livro Metamorfoses Jornalísticas 2: a reconfiguração da forma, que eu e o amigo e colega Fernando Firmino da Silva estamos organizando e que pretendemos lançar no final do ano.

22 de mai de 2009

Uma palestra digna de nota

Esta semana meus alunos da disciplina de Estágio em Assessoria de Imprensa da Unisinos, onde também leciono, assistiram a uma palestra muito bacana, proferida por meus amigos Ana e Eduardo de Zottis, sócio-proprietários da De Zotti Comunicações. Convidei Ana e Eduardo porque, além de competentes, têm uma história peculiar quando o assunto é jornalismo, haja vista que, de saída, ainda na graduação, optaram pela autonomia profissional quando o assunto é mercado de trabalho, o que só é possível quando conjugamos, em um mesmo contexto, capacidade de realização com empreendedorismo. E lá se vão quase 22 anos de muito trabalho. A moçada, claro, gostou demais, haja vista que, ao conhecimento acadêmico que eles adquirem em sala de aula, aliou-se, naquele momento, a experiência prática, sempre necessária. Uma noite memorável a de terça-feira, sem dúvida. Na foto, Eduardo De Zotti fotografado por Ana.

19 de mai de 2009

Lançada a segunda edição do Diz Aí

Eis o segundo número do Diz Aí; o jornal-mural do curso de Jornalismo da Unisc, onde também leciono, que lançamos neste primeiro semestre de 2009. A idéia, com ele, é estabelecer um diálogo entre os alunos e a Agência de Jornalismo, que coordeno. Os merecidos créditos: Ana Cláudia Schuh, Bruna Matos, Fábio Goulart, Geferson Kern e Luana Rodrigues ficaram com a reportagem. Já a diagramação é de Vanessa Kannenberg. O Diz Aí também tem um blog. Vai lá. Mataram a pau uma vez mais.

17 de mai de 2009

O culto ao amador

A Jorge Zahar acaba de lançar um livro muito interessante, O Culto ao Amador, de Andrew Kenn. A linha de apoio explica de saída do que estamos falando: "Como blogs, MySpace, YouTube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, cultura e valores". Uma leiura apressada sugere um libelo contra o atual momento evolutivo que nos encontramos, de profunda imersão tecnológica, onde as grandes metanarrativas, para ficarmos em uma, são implodidas em prol daquilo que o autor chama de o "culto ao amador". Ou seja, um tempo em que, graças à web principalmente, todos têm voz e razão, sem maiores aprofundamentos conceituais. E onde, paradoxalmente, somos engolidos por tsunamis de voz ao razão possibilitados pela web, ao ponto de não nos reconhecermos mais em termos de indivíduos criadores que somos. Isso em uma leitura mais linear, ainda que haja um eco de Baudrillard em cada uma das linhas de Kenn redige.

Se observarmos com mais atenção, no entanto, veremos que o livro representa, na verdade, um registro relevante desta nova ordem comunicacional, onde lugares secularmente instituidos - e aqui me refiro especificamente à mídia - passam a ser tão somente nós e conexões de um sistema mais amplo, o midiático, agora amalgamado em rede. Ocorre que esta condição, a de um sistema midiático-comunicacional autônomo em relação aos demais sistemas, interferindo e sendo interferido pelo ambiente em que se encontra, neste caso a sociedade, acaba por implodir as, digamos assim, noções de civilidade que construímos ao longo dos séculos. Quando isso ocorre, questões como autoria, identidade e valores perdem o sentido, caso sejam olhadas com os mesmos olhos que sempre olhamos, modernos.

Mais do que afirmar que isso é certo ou errado; se é catastrófico ou não, como sugere Keen, - e ele efetivamente acredita que é o final dos tempos -, penso que o fenômeno exige novas gramáticas de reconhecimento, ainda por serem criadas. Estamos falando, portanto, de midiatização, ou seja, de uma nova ambientação onde a mídia, mais que suporte, opera como uma espécie de reguladora da sociedade, com tudo o que isso possa significar, interferindo e sendo interferida por esta em suas operações. O texto de Keen ganha mais relevância à medida que o autor não é um corpo estranho à tecnologia, haja vista que, logo na saída, diz de onde veio: em 1990, fundou o Audiocafe.com, um dos primeiros sites a disponibilizar música digital. Faz parte, portanto, da moçada do Vale do Silício.

14 de mai de 2009

Nova edição da Revista Fronteira está disponível

Acabo de receber e-mail dando conta da nova edição da Revista Fronteiras: Estudos Midiáticos, da Unisinos, onde também leciono. Abaixo, o índice de artigos:

Viagens ao outro lado da Grande Lisboa (Journeys to the other side of Lisbon Metropolitan Area), de Isabel Ferin:

Autonetnografia e inserção online: o papel do pesquisador-insider nas práticas comunicacionais das subculturas da Web (Autonetnography and online insertion: The role of the insider in subcultural communicational practices of the Web), de Adriana Amaral

Sociología fenomenológica y comunicología: Sociología Fenomenológica y sus aportes a la comunicación interpersonal y mediática (Phenomenologycal sociology and communicology: Phenomenological Sociology and its contributions to interpersonal and media communication), de Marta Rizo García

Movimentos sociais, cidadania e o direito à comunicação comunitária nas políticas públicas (Social movements, citizenship, and the right to community communication in public policies), de Cicilia M. Krohling Peruzzo

A identidade feminina na recepção de moda em revista (Female identity in fashion magazines reception), de Daniela Schmitz, Jiani Bonin

Dimensão e prática do jornalismo cultural (Dimension and practice of cultural journalism), de J.S. Faro

Visibilidade de temas sociais e fotografias nas capas de jornais regionais durante as eleições de 2006 (Visibility of social themes and photos on the first pages of daily regional newspapers during 2006 elections), de Emerson Urizzi Cervi, Natália Cancian, Sandra Avi dos Santos

Sindicato repudia declarações de Sérgio Moares

Newsletter divulgada pelo Sindicato dos Jornalistas, a partir das sandices ditas recentemente pelo deputado Sérgio Moraes (PTB), aqui de Santa Cruz do Sul:

"Em face às declarações do deputado federal Sérgio Moraes, PTB-RS, que recentemente classificou o trabalho dos jornalistas de "pouca vergonha" e insinuou que muitos profissionais mentem em suas reportagens, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul e a Associação Riograndense de Imprensa exigem uma retratação imediata do parlamentar, ou então que ele aponte quais são os profissionais que usam da mentira em suas reportagens.

Conforme o artigo 11º do Código de Ética do Jornalista, o profissional não pode divulgar informações visando interesse pessoal ou vantagem econômica, ou obtidas de maneira inadequada. Por exemplo, com o uso de identidades falsas, câmeras escondidas ou microfones ocultos, salvo em casos de incontestável interesse público e quando esgotadas todas as outras possibilidades de apuração. O Sindicato e a ARI repudiam o uso desta prática e esclarecem que, no caso do deputado, ele fez questão de fazer todas as ofensas sem qualquer resguardo público e decoro parlamentar.

As entidades consideram que a Câmara dos Deputados terá de responsabilizar o deputado por seus atos, sendo prioritária a sua saída da relatoria do processo de cassação do deputado Edmar Moreira e conseqüentemente do Conselho de Ética da Câmara. Por ser uma profissão de caráter social, os jornalistas brasileiros têm obrigação de mostrar a toda população o trabalho de seus representantes, mesmo que estes tenham atitudes como a do parlamentar, que faz questão de dizer que "se lixa para a opinião pública
".

10 de mai de 2009

O que dirão de nós no futuro?

A tira do Fernando Gonsales deste domingo na Folha de São Paulo lembra demais a novela Pantanal, originalmente veiculada na Manchete. Lembram? Lá pelas tantas, a moçada da teledramaturgia começou a abusar dos ocasos; das cenas de boiadas ao longe, dos paisagismos até então pouco vistos em termos de novela. Ato contínuo, houve quem se debruçasse analiticamente sobre o fenômeno, por arrojado do ponto de vista estético-narrativo. O que ninguém disse, e isso consta no livro Os Irmãos Karamabloch, de Arnaldo Bloch (Cia das Letras, 2008), é que havia um motivo, digamos assim, pouco nobre para a nova concepção estética. É que, à época, a Bloch já andava mal das pernas com os novos e sucessivos investimentos em tevê, por pesados. Claro que Pantanal representava uma esperança, mas ninguém imaginava que atrairia tantos anunciantes. Como o formato do programa era um e da grade de anúncios era outro, menor, a saída foi, digamos assim, "espichar" os capítulos. E aí deu no que deu.

Midiatização reconfigura fluxo informativo da Globo

O Fantástico deste domingo acaba de veicular uma notícia que, a meus olhos, reflete bem a perspectiva que defendi em minha tese de doutorado. Ou seja, que os dispositivos jornalísticos-comunicacionais, ao se estabelecerem como vetores de midiatização, são afetados pela processualidade desta. Em palavras simples, midiatização representa uma nova forma de inteligibilidade social, onde a sociedade percebe e é percebida pelo fenômento da mídia. Pois bem, na referida matéria, uma repórter (raramente gravo nomes próprios, desculpem-me) transmite um boletim defronte ao Ministério da Saúde, em Brasília. Algumas pessoas, por meio de recados gravados com webcans caseiras, entram em contato com a Globo para dizer que viram ratos atrás da referida repórter enquanto ela transmitia sua notícia. Isso fez com que o Fantástico produzisse uma matéria sobre este evento, ou seja, sobre o fato de as pessoas terem visto ratos e terem mandado, por meio da web, as imagens à Globo. Matéria esta que, por sua vez, sofreu uma nova mudança de ângulo e acabou se transformando em um relato sobre ratos nas cidades grandes, entre estas São Paulo, onde haveria mais ratos que pessoas, segundo um especialista. É meio nojento, eu sei, mas interessante o fenômeno. Observe-se, e este é um dos pontos analisados em minha tese, que, com isso, o aparato midiático também acaba se reconfigurando por meio de fluxos informativos, complexificando, assim, entre outros, os pólos de emissão e recepção que conhecemos desde há muito, mas também as formas da própria notícia. A este fenômeno dou o nome de jornalismo midiatizado, sobre o que voltaremos a falar mais adiante.

Feira do Livro de Santa Cruz terá edição do Unicom

A edição-extra do Unicom, jornal-laboratório que a moçada da Unisc, onde também leciono, preparou para a 22ª Feira do Livro de Santa Cruz do Sul segue para a gráfica amanhã cedo. E vai ficar muito bacana, diga-se. Quem quiser uma prévia em PDF, entre por aqui.

Destaco o trabalho porque foi realizado a toque de caixa e de forma voluntária por um grupo de quase formando e outros a caminho de; alunos que, por meio deste trabalho, demonstraram uma vez mais o grau de maturidade com que estão chegando ao mercado de trabalho. Trabalho este que, com muito orgulho, tenho tido a oportunidade de acompanhar bem de perto por meio das disciplinas de jornalismo que leciono na Unisc.

A edição-extra do Unicom estará disponível já no lançamento oficial da 22ª Feira do Livro de Santa Cruz do Sul, dia 13 de maio, às 19h30, na Casa das Artes Regina Simonis. Já a Feira se inicia dia 30 de maio e segue até 07 de junho de 2009, na Praça Getúlio Vargas, no Centro.

Os merecidos créditos pela realização do jornal: Letícia Mendes (editora), Gelson Pereira (capa e diagramação), Daiane Balardin (produção),Márcia Melz (fotografia e reportagem), Francine Rabuske (reportagem), Heloísa Poll (reportagem), Letícia Mendes (reportagem), Marisa Lorenzoni (reportagem) e Sancler Ebert (reportagem). A direção de arte ficou por conta dos pra lá de competentes Gelson Pereira e Lázaro Fanfa.

9 de mai de 2009

Primeiro Unicom de 2009 fica pronto esta semana

A primeira edição do Unicom deste 2009, jornal-laboratório da Unisc, onde também leciono, já está na gráfica e, a julgar pelas evidências, vai ficar muito bacana uma vez mais. Desta feita, a turma de Produção em Mídia Impressa optou por uma entrada temática, escorada naquelas histórias - usualmente divertidas - que acontecem quando tudo dá errado, ao invés de certo, nas situações mais inusitadas. Ou seja, em verdadeiras indiadas. Há, ainda, uma entrevista muito legal com Airton Ortiz, nosso campeão de indiadas. Também aqui trabalhamos em uma perspectiva multiplataforma, ou seja, além do impresso (são 500 exemplares), temos um blog - o Blog do Unicom - onde exercemos outros níveis de linguagem. A versão em PDF já está disponível. Abraço a todos.

7 de mai de 2009

Terceira edição do Quê?/Unisc ficou muito legal

Escrevo para dizer que a terceira edição do projeto desenvolvido entre os alunos do curso de Jornalismo da Unisc, onde também leciono, e a moçada do Caderno Quê? - suplemento jovem do jornal Gazeta do Sul, de Santa Cruz do Sul - ficou pra lá de bacana. Isso no que diz respeito a planejamento gráfico e composição editorial, seja ela em termos de textos, imagens ou idéias.

Para quem não conhece, a idéia do projeto é a seguinte: todos os semestres, alunos do curso de jornalismo da Unisc são selecionados para realizar uma edição do Caderno Quê, veiculada com quatro ou oito páginas. Eles fazem de tudo: pauta, fotografia, diagramação etc. C

Os merecidos créditos: Amanda Mendonça (fotografia, ilustração e diagramação), Ana Cláudia Schuh (reportagem), Ana Luiz Rabuske (reportagem), Daniele Rubim (reportagem) Heloísa Pool (reportagem), Lívia Luz (reportagem), Luana Backes (reportagem) e Lucas Adolfo Baumhardt (reportagem). O processo, na redação da Gazeta, foi conduzido pelos titulares do Quê?, a saber: Jansle Appel Júnior, Guilherme Mazuí, Gelson Pereira e Carol Scortegagna. Da parte da Unisc, coordenou este que vos comenta.

Parabéns a todos os envolvidos, pois.

Curso de jornalismo ambiental em Porto Alegre

Repassando:

"O Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ-RS) promove, no dia 16 de maio, um curso sobre Jornalismo Científico e Ambiental, voltado a jornalistas e estudantes de jornalismo. Os palestrantes convidados, o jornalista Marcelo Leite e o professor Wilson da Costa Bueno, tratarão de aspectos teóricos e práticos da área, o trabalho com informações especializadas e a relação com fontes, além de falar sobre suas experiências profissionais, reconhecidas nacional e internacionalmente.

O curso será no auditório da Associação Riograndense de Imprensa – ARI (Av. Borges Medeiros, 915 - 8º andar – centro / Porto Alegre), das 9h às 12h e das 14h às 17h.
O valor da inscrição é de R$ 100,00 para jornalistas e demais profissionais interessados e R$ 70,00 para estudantes (graduação ou pós-graduação) e sócios do NEJ-RS. As vagas são limitadas em 80 participantes e os mesmos receberão certificado da atividade".


Incrições podem ser feitas pelo e-mail ecoagencia@ecoagencia.com.br

Midiatização incorpora instituição e linguagem

O trecho abaixo é o excerto de uma entrevista que o professor José Luiz Braga, do PPGCom da Unisinos, concedeu à bolsista de iniciação científica do programa Luísa Schenato. O texto foi publicado no site Midiatização e Eventos Sociais. Acesse a entrevista completa por aqui.

"Penso sobretudo "midiatização" como processo. Não se trata de enfatizar os meios eletrônicos (como se "estudar midiatização" fosse "estudar os meios" ou o desenvolvimento tecnológico). Mas sim o fato de que os processos interacionais da sociedade se tornam crescentemente midiatizados. Escrevi um artigo em que observo a tendência atual de se instalarem como "processo interacional de referência", em substituição ao livro e à escrita impressa.

Esta questão se relaciona às percepções vigentes sobre o que caracteriza o campo de estudos em Comunicação. É inegável, aí, uma presença intensa da mídia como objeto de observação. Assim, é possível assumir a posição de que "estudar a mídia" é o que define o campo. Nesse âmbito, cabe afirmar que "midiatização", como objeto, corresponde a estar atento aos processos da mídia, em suas peculiaridades. Certamente.

Por outro lado, cria-se aí um problema interessante, que é o de definir o que seja "mídia". Para alguns, são os meios de comunicação com alto insumo tecnológico, e que tipicamente envolvem os processos audiovisuais. Outros enfatizam, na mídia, os processos empresariais, industriais.

Outros, ainda, assumem uma perspectiva bem mais abrangente - chegando ao nível holístico, em que "tudo é mídia" - a roupa, a dança, toda sorte de próteses, os gestos as expressões faciais, o corpo, os ambientes arquitetônicos... É claro que isso não ajuda muito - porque, se é verdade que tudo pode participar de comunicações específicas, não decorre daí que tudo seja comunicação, ou que todas essas participações tenham igual peso. Na afirmação abrangente, perdemos especificidade. Outro problema associado é o de uma afirmação genérica de que tal coisa "é mídia" - mas depois estudá-la nos seus aspectos mais habituais e vinculados a outras disciplinas do conhecimento. Ora, se eu faço um estudo sobre investimento e lucro nas empresas de televisão, estou fazendo "economia" e não "comunicação" (mesmo que os resultados desse estudo possam nos interessar).

Assim, mais que o foco na mídia, assumo como central, a processualidade interacional. Mas aí, preciso explicar porque a mídia (e particularmente a mídia contemporânea, eletrônica) é tomada tão obsessivamente como nosso objeto de observação - uma vez que os processos interacionais também ocorrem fora dela. Com isso, chego à perspectiva de que a mídia interessa não porque seja o objeto metodológico caracterizador dos estudos de Comunicação, mas por outras duas razões. A primeira, é porque foi o desenvolvimento da mídia contemporânea que viabilizou uma percepção dos fenômenos comunicacionais de modo distinto de outros fenômenos sociais. A segunda, porque historicamente está se estabelecendo como "processo interacional de referência". Essa situação em processo é que se caracterizaria como a "midiatização" da sociedade."

Seminário sobre Epistemologia e Pesquisa na Unisinos

A Unisinos, onde também leciono, está realizando seu I Seminário de Epistemologia e Pesquisa em Comunicação. Reproduzo trecho do evento publicado no site Midiatização e Eventos Sociais:

"O seminário é parte do projeto “Crítica Epistemológica - Análise de investigações em curso, com base em critérios epistemológicos, para desenvolvimentos reflexivos e praxiológicos na pesquisa em comunicação” vinculado ao Programa Nacional de Cooperação Acadêmica (PROCAD), e visa a discussão dos temas sujeito e objeto, método e metodologia, disciplina e campo da comunicação.

Estão programadas apresentações de artigos de pesquisadores das universidades federais de Goiás e Juiz de Fora, além dos professores, mestrandos e doutorandos da Unisinos. O seminário é organizado pelo professores da linha de pesquisa “Midiatização e Processos Sociais”, do Programa de Pós-Graduação de Ciências da Comunicação da Unisinos, Jairo Ferreira, Pedro Gilberto Gomes, Antônio Fausto Neto e José Luiz Braga

A programação:

12/05 – Terça-feira
Sessão I – O midiático e o conhecimento (I)
Turno: Manhã
Local: Auditório Érico Veríssimo

9h – 9h30
Abertura:
Prof. Dra. Christa Berger – Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação - Unisinos
Prof. Dra. Ione Bentz - Diretora da Unidade de Pesquisa e Pós-Graduação – Unisinos

9h30 - 10h50
Pantallas y mediatización contemporánea: mapas de prácticas e interrogantes teóricos (Prof. Rubén Biselli - Universidad Nacional de Rosário, UNR)

10h50 – 12h10
Intensidades sinestésicas: Convergências de sensações, saberes, linguagens na cultura midiática (Prof. Goiamérico Felício C. dos Santos – Universidade Federal de Goiás, UFG)

Sessão II - O midiático e o conhecimento (II)
Turno: Tarde
Local: Auditório Érico Veríssimo

14h00 – 15h20
¿Para qué investigar sobre comunicación masiva?: Una problemática epistemológica de los años 70: la discusión entre ciencia e ideología (Prof. Ricardo José Diviani - Universidad Nacional de Rosário, UNR)

15h20 – 16h40
Comunicação e o Jornalismo: fundamentos para o debate conceitual (Profa. Ana Carolina Rocha Temer - Universidade Federal de Goiás, UFG)

17h – Palestra com o Assessor de Comunicação e Cultura do Governo Federal do Paraguai Juan Diaz Bordenave em comemoração aos 10 anos de Doutorado em Ciências da Comunicação da Unisinos

13/05 – Quarta-feira
Sessão III – Método, disciplina e campo
Turno: Manhã
Local: Auditório Érico Veríssimo

9h – 10h20
Método, campo e identidade: o caso da comunicação (Prof. Jairo Getúlio Ferreira – Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Unisinos)

10h20 – 11h40
Disciplina ou Campo? O desafio da consolidação dos estudos em Comunicação (Prof. José Luiz Warren Jardim Gomes Braga – Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Unisinos)

Sessão IV – Método, objeto e conhecimento

Turno: Tarde
Local: Auditório Érico Veríssimo

13h30 – 14h50
Do conhecimento ao conhecimento: notas sobre comunicação e vínculos (Prof. Potiguara Mendes da Silveira Jr. – Universidade Federal de Juiz de Fora, UFJF)

14h50h – 16h10
Objetos dóceis entre regulação e o descontrole das teorias (Prof. Antônio Fausto Neto – Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Unisinos)

16h10 – 17h30
Fenomenologia da midiatização (Prof. Pedro Gilberto Gomes – Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Unisinos)

14/05 – Quinta-feira
Sessão V - A linguagem e os signos
Turno: Manhã
Local: Auditório Érico Veríssimo

9h – 10h20
Comunicação e linguagem: conflitos epistemológicos entre estruturalismo e fenomenologia (Prof. Magno Luiz Medeiros da Silva – Universidade Federal de Goiás, UFG)

10h20 – 11h40
Semiótica e plataformas interativas multicódigos (Prof. Francisco José Paoliello Pimenta – Universidade Federal de Juiz de Fora, UFJF)

11h40 – 13h
Comunicação, institucionalização e linguagens: a busca por um objeto de pesquisa nos problemas situados entre sistema e mundo da vida (Prof. Luiz Antônio Signates – Universidade Federal de Goiás, UFG)

Sessão VI - Objeto e campo

Turno: Tarde
Local: 3A318

14h30 – 15h15
Para uma concepção de ética da mídia (DOUTORANDO(A) Carlos Alberto Jahn)
objetos

15h15 – 16h
A feminização da política na capital gaúcha: Estratégias de midiatização do corpo feminino em Zero Hora (DOUTORANDO(A) Mariana Bastian Tramontini)
objetos

16h – 16h45
A midiatização e os sistemas de valor, de visibilidade e de vínculo (DOUTORANDO(A) Ricardo Zimmermann Fiegenbaum)
objetos

Sessão VII – Método, metodologia e campo

Turno: Tarde
Local: 3A317

14h30 – 15h15
Comunicação: campo sem rosto - Uma abordagem da midiatização como contorno de delimitação (DOUTORANDO (A)Ana Paula da Rosa)

15h15 – 16h
Táticas etnográficas no campo da comunicação (MESTRANDO(A) Marcel Neves Martins)

16h – 16h45
Tensionamentos ao campo de pesquisa (aspectos de problematização de fenômenos e reflexões teóricas) a partir de um estudo de caso (DOUTORANDO(A) Eloísa Joseane da Cunha Klein)

Turno: Tarde
Local: 3A301

14h30 – 15h15
Reflexões metodológicas na construção de um objeto de pesquisa (DOUTORANDO(A) Carmem Lúcia Souza da Silva)

15h15 – 16h
Entre a academia e o mercado: cientificidade e academicidade da pesquisa qualitativa em contexto eleitoral (MESTRANDO(A) Sw Mariana Oliveira de Freitas)

16h – 16h45
Midiatização: narrativa da história (DOUTORANDO(A) Michelli Machado)

Turno: Tarde
Local: Auditório Érico Veríssimo

16h45 – 17h30
Relato do Seminário – Prof. Adair Peruzollo, programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação - UFSM

15/05 – Sexta-feiraTurno: manhã
Local: 3A317

9h – 13h
Reunião técnica com professores

4 de mai de 2009

Há 4,7 milhões de mexicanos blogueiros

Post do blog Adventures Graphics informa que 4,7 milhões de mexicanos são blogueiros. E segue: "Todavía no hay una cifra significativa sobre cuantos blogueros mexicanos viven de sus blogs, pero estudios de Estados Unidos y España dan un aproximado: 2% de los entrevistados por la firma Technorati en el reporte State of the blogosphere 2008, dicen que sus blogs son su primer fuente de ingresos, mientras que 5% considera que es su trabajo de tiempo completo y 15% asegura que les genera cierto ingreso". O post foi feito com base em matéria do jornal El Universal .

Abertas inscrições ao mestrado em jornalismo da UFSC

Repasso, por relevantem, e-mail recebido de Eduardo Meditsch, coordenador do Mestrado em Jornalismo da UFSC: "As inscrições para o processo seletivo do Mestrado em Jornalismo da UFSC começam nesta segunda-feira, dia 4, e vão até 15 de maio. Estão sendo abertas 16 vagas nesta terceira turma. Todas as informações sobre o curso, o processo seletivo e as inscrições estão disponíveis no site www.posjor.ufsc.br".

1 de mai de 2009

FSP explica suas próprias operações

A Folha de São Paulo de hoje, cuja edição possui 42 páginas, faz 22 referências às operações da própria FSP em suas matérias, sendo a maior incidência nos cadernos Cotidiano (seis vezes) e Ilustrada (cinco vezes). Não registrei nenhuma referências às operações da FSP na capa e nas duas páginas de Opinião. Para além destas, a mídia em geral possui cerca de 30 citações na edição. Jornais, revistas, portais, agências e sites são muito citados no caderno principal (na página A3, por exemplo, há referências às revistas Isto É e Piauí, além dos Economist (duas), Financial Times (duas), Energy, Valor, Wall Street Journal (três), Washington Post, New York Times, além das agências Associated Press e Reuters Brasil, mais portal UOL). Na editoria de Mundo, por sua vez, há referências genéricas nas matérias a "agências internacionais" (páginas A12 e A13, mas também à revista Science (duas). Interessantes estes exemplos.

Se observarmos com mais atenção, veremos que há dois níveis de referência:

1 No primeiro caso, onde registramos 22 incidências, a FSP explica suas próprias operações no corpo do noticiário por meio do registro, em bold, da palavra Folha. Informações tais como uma visita à sede da FSP, um documento que esta recebeu, uma informação que apurou etc.

2 Nos outros exemplos, onde entram os demais dispositivos, incluindo entre estes as agências de notícia, as referências dizem respeito especificamente a assuntos abordados por estes. Ou seja, são fontes para a FSP.

O que isso tudo que dizer? Quer me parecer que sejam exemplos interessantes quando o assunto é observar o atual cenário midiático-comunicacional em que nos encontramos, ainda que sem maiores rigores científicos. Por outras palavras, ao se referenciar às suas próprias operações, a FSP está fazendo um pouco daquilo de Fausto Neto apontou no capítulo que escreveu do livro Edição em Jornalismo: Ensino, Teoria e Prática (Edunisc, 2006). Ou seja, oferecendo novos critérios de credibilidade por meio de operações de natureza auto-referencial, voltadas ao que ocorre no interior do próprio veículo.

No que diz respeito à co-referência, por fim, é um pouco do que citei em post anterior: em uma perspectiva de jornalismo midiatizado, os dispositivos midiáticos passam a se referenciar cada vez mais em suas operações. Isso ocorre basicamente porque eles estão ligados uns aos outros por meio da internet. A esse fenômeno dou o nome de jornalismo midiatizado.

Sou pai do Arnaldo Antunes!

A quem interessar possa: este é meu filho, Pedro, no alto de seus nove meses, após o banho.

Apropriação ou co-referencialidade jornalística?

Recebo em minha caixa de correspondência uma newsletter do Comunique-se com uma informação interessante: "Veja copia partes de matéria do Wall Street Journal sem citar fonte". Segundo a matéria, a "reportagem de capa da edição de 22/04 da revista Veja traz uma matéria coordenada muito parecida com um artigo, publicado quase um mês antes, pelo jornal americano The Wall Street Journal (WSJ). Tanto a estrutura como trechos do texto são idênticos. Questionada pelo Comunique-se, a repórter Gabriela Carelli negou a ocorrência de plágio".

Mais que uma apropriação indevida, quer me parecer que estejamos diante de uma das características do jornalismo midiatizado, neste caso a co-referencialidade. Trata-se, a co-referencialidade, do movimento por meio do qual os dispositivos jornalísticos (jornais, revistas, rádios etc.) referenciam-se mutuamente em suas operações, ainda que, neste caso, sem a citação da fonte.

A co-referencialidade ocorre no interior do sistema midiático-comunicacional porque os dispositivos jornalísticos que compõem este estão amalgamados em rede, por meio dos nós e conexões da web, o que empresta contorno ao sistema em que se inserem e intensifica o diálogo entre eles. A perspectiva é auto-referencial, porque diz respeito às operações que ocorrem no interior do próprio sistema onde estes dispositivos se encontram.

Equivale a dizer que a midiatização, ou a instauração de uma nova ambiência a partir de uma profunda imersão tecnológica da sociedade, afeta, também, os dispositivos responsáveis por sua existência e suas operações, neste caso os de natureza jornalística.