22 de ago de 2007

Metamorfoses jornalísticas

A capa ao lado diz respeito ao novo livro que estaremos lançando a partir de outubro.
Chama-se "Metaformoses jornalísticas: formas, processos e sistemas" (Edunisc, 2007) e é organizado por este que vos tecla e pelas professoras-pesquisadoras Ângela Fellipi e Fabiana Piccinin.
Participam dele, ainda, Carlos Eduardo Franciscato, José Afonso da Silva Júnior e José Carlos Correa.
O prefácio é de Alfredo Vizeu.
A idéia é discutirmos os mecanismos por meio dos quais os jornais estabelecem seu diálogos, complexificando-(os)se.
O lançamento ocorrerá em outubro, na Feira do Livro de Porto Alegre.
Como será num sábado (avisarei a data), preparem o mate e as canetas: nos vemos na Praça da Alfândega.
Grande abraço a todos.

15 de ago de 2007

Joel Silveira está morto

Chupei esta no portal Imprensa, da revista homônima, assinada pela Thaís Naldoni. Ok: ninguém vive para sempre, da mesma forma que algumas partidas parecem pesar mais.

"Na manhã desta quarta-feira, morreu aos 88 anos, no Rio de Janeiro (RJ), o jornalista e escritor Joel Silveira, vítima de câncer de próstata. Silveira estava em casa e morreu dormindo.
Joel Silveira ganhou notoriedade com a cobertura da Segunda Guerra Mundial, como correspondente dos Diários Associados. Em 60 anos de jornalismo, atuou em grandes veículos da imprensa nacional, entre eles, a revista Manchete, O Estado de S. Paulo, Última Hora e Correio da Manhã, e publicou mais de 40 livros.
O jornalista, nascido em Lagarto (SE), era chamado por Assis Chateaubriand de "a víbora", em razão de seu estilo literário.
No mês de maio de 2007, o jornalista recebeu homenagem da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), durante o "II Congresso de Jornalismo Investigativo".
Como desejava, o corpo do jornalista - que deixa três filhos - não será velado. A cerimônia de cremação acontecerá nesta quinta-feira (16/08), às 14h, no crematório da Santa Casa da Misericórdia, no Rio. "

12 de ago de 2007

Uma tese, acreditem, é apenas uma tese

Quem me passou este texto foi a Fabi, namor, por meio de e-mail, que por sua vez deve ter lhe chegado por e-mail também e por aí vai. Tentei pesquisar (estou meio sem paciência hoje, entenda...) e o mais perto que cheguei foi que se trata de um texto de 1998, do Caderno 2, Estado de São Paulo, de autoria do Mário Prata. Por bom, resolvi postar igual. Digamos que tem a ver com o atual momento evolutivo deste que vos escreve e de tantos outros mais. Vê aí:

"Uma tese é uma tese

Sabe tese, de faculdade? Aquela que defendem? Com unhas e dentes? É dessatese que eu estou falando. Você deve conhecer pelo menos uma pessoa que jádefendeu uma tese. Ou esteja defendendo. Sim, uma tese é defendida. Ela éfeita para ser atacada pela banca, que são aquelas pessoas que gostam debotar banca.
As teses são todas maravilhosas. Em tese. Você acompanha uma pessoa meses,anos, séculos, defendendo uma tese. Palpitantes assuntos. Tem tese que nãoacaba nunca, que acompanha o elemento para a velhice. Tem até tesespós-morte.
O mais interessante na tese é que, quando nos contam, são maravilhosas,intrigantes. A gente fica curiosa, acompanha o sofrimento do autor, anos afio. Aí ele publica, te dá uma cópia e é sempre - sempre - uma decepção. Emtese. Impossível ler uma tese de cabo a rabo.
São chatíssimas. É uma pena que as teses sejam escritas apenas para ojulgamento da banca circunspecta, sisuda e compenetrada em si mesma. E nós?
Sim, porque os assuntos, já disse, são maravilhosos, cativantes, as pessoassão inteligentíssimas. Temas do arco-da-velha. Mas toda tese fica no rodapéda história. Pra que tanto sic e tanto apud? Sic me lembra o Pasquim e apudnão parece candidato do PFL para vereador? Apud Neto.
Escrever uma tese é quase um voto de pobreza que a pessoa se autodecreta. Omundo pára, o dinheiro entra apertado, os filhos são abandonados, o maridoque se vire. Estou acabando a tese. Essa frase significa que a pessoa vaisair do mundo. Não por alguns dias, mas anos. Tem gente que nunca maisvolta.
E, depois de terminada a tese, tem a revisão da tese, depois tem a defesa datese. E, depois da defesa, tem a publicação. E, é claro, intelectual que sepreze, logo em seguida embarca noutra tese. São os profissionais, em tese. Opior é quando convidam a gente para assistir à defesa. Meu Deus, que sono.Não em tese, na prática mesmo.
Orientados e orientandos (que nomes atuais!) são unânimes em afirmar quetoda tese tem de ser - tem de ser! - daquele jeito. É pra não entender,mesmo. Tem de ser formatada assim. Que na Sorbonne é assim, que em Coimbratambém. Na Sorbonne, desde 1257. Em Coimbra, mais moderna, desde 1290.
Em tese (e na prática) são 700 anos de muita tese e pouca prática.
Acho que, nas teses, tinha de ter uma norma em que, além da tese, o elementoteria de fazer também uma tesão (tese grande). Ou seja, uma versão para nós,pobres teóricos ignorantes que não votamos no Apud Neto.
Ou seja, o elemento (ou a elementa) passa a vida a estudar um assunto quenos interessa e nada. Pra quê? Pra virar mestre, doutor? E daí? Se eleestudou tanto aquilo, acho impossível que ele não queira que a gente saiba aque conclusões chegou. Mas jamais saberemos onde fica o bicho da goiabaquando não é tempo de goiaba. No bolso do Apud Neto?
Tem gente que vai para os Estados Unidos, para a Europa, para terminar atese. Vão lá nas fontes. Descobrem maravilhas. E a gente não fica sabendo denada. Só aqueles sisudos da banca. E o cara dá logo um dez com louvor.Louvor para quem? Que exaltação, que encômio é isso?
E tem mais: as bolsas para os que defendem as teses são uma pobreza.
Tem viagens, compra de livros caros, horas na Internet da vida, separações,pensão para os filhos que a mulher levou embora. É, defender uma tese émesmo um voto de pobreza, já diria São Francisco de Assis. Em tese.
Tenho um casal de amigos que há uns dez anos prepara suas teses. Cada um,uma. Dia desses a filha, de 10 anos, no café da manhã, ameaçou:
- Não vou mais estudar! Não vou mais na escola.
Os dois pararam - momentaneamente - de pensar nas teses.
- O quê? Pirou?
- Quero estudar mais, não. Olha vocês dois. Não fazem mais nada na vida. Ésó a tese, a tese, a tese. Não pode comprar bicicleta por causa da tese. Agente não pode ir para a praia por causa da tese. Tudo é pra quando acabar atese. Até trocar o pano do sofá. Se eu estudar vou acabar numa tese. Queroestudar mais, não. Não me deixam nem mexer mais no computador. Vocês achammesmo que eu vou deletar a tese de vocês?
Pensando bem, até que não é uma má idéia!
Quando é que alguém vai ter a prática idéia de escrever uma tese sobre atese? Ou uma outra sobre a vida nos rodapés da história?
Acho que seria uma tesão."

Lambidas digitais

A disciplina de Linguagens dos Meios Digitais I da Univates, em Lajeado, onde também leciono, vai bombar neste semestre. Criamos, ainda na aula passada, um blog - Lambida Digital - cujo objetivo é extrapolar os limites da aula para além da sala. Ou seja, exercitar a linguagem digital, ainda que na forma de blog. Vem mais novidade pela frente, mas é cedo para adiantar qualquer coisa. Quanto à aula, bem: é sexta à noite; o pessoal está cansado (a maioria trabalha), mas não falta fôlego pra galera. Ao que tudo indica, vai render um bom caldo, com certeza. Dá uma lambida no blog, vai...
Integram a foto aí de cima, "tirada" pela Elise Bozzetto, na mais absoluta desordem, além deste que vos tecla: Ana de Fátima Lourenço; Carlos Dudu Schneider; Carlos Eduardo Spohr; Cláudia Brune; Diogo Botti; Felipe Schmitt; Ismael Salvatori; Jaime Gregory; Lucas e Luciana Brune; Luciano Macedo; Maiana Antunes; Nicole Morás; Rafael Simonis; Ranieri Morigi e Tiago Baldi. Integram a turma, ainda, Deise Scartezini e o Paulo Rogério dos Santos.

8 de ago de 2007

O Tacho é impagável


A charge ao lado é do Tacho, um sujeito que eu tenho um grande respeito profissional; com quem eu aprendi muito nos tempos do ABC Domingo - e que espero ainda aprender muito mais -, mas, sobretudo, um amigaço. Publicada hoje no Jornal VS, de São Leopoldo.

Meninos e meninas são diferentes II

A Gazeta do Sul publicou hoje mais uma matéria, assinada pelo Guilherme Mazuí, sobre a segunda edição do Unicom deste ano, desenvolvida sob minha orientação pela turma de Produção em Mídia Impressa da Unisc. Reproduzo um trecho: "O trabalho de um semestre exposto em oito páginas. Parece pouco. Nem tanto. Os alunos da disciplina de Produção em Mídia Impressa do último semestre do curso deJornalismo da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) ralaram para dar conteúdo com fôlego nestas oito páginas. Foi preciso pesquisar, entrevistar, revisar para mostrar que Meninos e Meninas São Diferentes. A manchete do último Unicom – jornal laboratório do curso de Jornalismo da Unisc – dá as caras da publicação. Polêmica, por sinal. Abordar as peculiaridades entre os sexos sempre causa discussão. Ciúmes, preferências, primeiros beijos, casamentos, jogos de sedução. A edição está recheada de temas quentes. E de curiosidades também. Você sabia que nas relações sexuais os homens agem como esquilos? Um estudo da Universidade de Louisville, nos EUA, diz que as fêmeas dos esquilos preferem machos recém-saídos de uma cópula. Aí a história de que homem comprometido é mais atraente ganha comprovação científica. Todas as matérias focam o lado humano dessas diferenças, com experiências de vida. O texto tem apoio literário, acompanhado de perto pelo professor Demétrio de Azeredo Soster, responsável pela publicação." Bem bacana. Leiam. Opinem.

7 de ago de 2007

Quanto mais eu rezo...

Seria divertido, não fosse trágico: a Veja desta semana traz uma entrevista com o misto a socialite Wilma Magalhães, segundo a matéria "símbolo do colunismo social de Brasília" e presa por envolvimento (que ela nega, claro) com os anões do orçamento, neste caso o ex-deputado João Alves. Lavagem de dinheiro, creio. Bueno, além de pérolas como "(...) as guardas parecem enfermeiras de tão limpinhas e arrumadinhas", a moçoila faz uma constatação - nas entrelinhas, mas faz - no mínimo surpreendente: vale mais a pena ficar presa por seis anos do que comprometer o patrimônio que ela adquiriu "com suor" para pagar advogados e depois viver livre e pobre. É aquela velha história: "Quanto mais eu rezo mais assombração me aparece".

Versão digital de Zero Hora será atualizada

Interessante esta notícia do Coletiva: Zero Hora está contratando a roldo - são 30 jornalistas, informa a matéria - para atualizar a versão digital do jornal. Os tempos da transposição, nem tão distantes assim, estão ficando rapidamente para trás.

5 de ago de 2007

Estamos em quinto no ranking dos blogueiros

Notícia quentinha: segundo o site Computerworld, o Brasil é muito blogueiro: estamos em quinto lugar no mundo. No planeta, são 170 milhões de usuários de blogs. Por estes lados, 5,9 milhões. A pesquisa foi realizada com 10 mil pessoas. Leia a dita.

Interação mediada por computador

O Alex Primo, da Ufrgs, acaba de lançar (Sulina, 2007), o livro Interação Mediada por Computador: Comunicação, Cibercultura, Cognição. Pode ser comprado no site da Cultura. Ainda não li, mas já encomendei e recomendo desde já, basicamente porque o Alex é um cara sério. Segundo o próprio, na introdução, "(...) O que é "interatividade"? Esta foi a pergunta que inicialmente motivou este livro. Muito além de uma aparente simplicidade, tal problema exige uma reflexão cautelosa, que coloque em revista até mesmo o que se pensa e se sabe sobre os processos de comunicação. A utilização dos conceitos e teorias da comunicação de massa pouco servem para esse debate. Não se quer, claro, menosprezar décadas de estudos rigorosos sobre os processos midiáticos. Mas se a interconexão na Internet permite ultrapassar diversas barreiras até então impostas pelos meios massivos, como estudar a interação mediada por computador com auxílio apenas das tradicionais senhas explicativas?" E por aí vai.

4 de ago de 2007

Meninos e meninas são diferentes

O segundo número do Unicom - o jornal-laboratório da Unisc, by Santa Cruz - continua dando o que falar. Confira a matéria veiculada à página 2 do Caderno Magazine na edição da Gazeta deste sábado sobre o assunto, intitulada "Recreio no câmpus":

"Esta foi o Guilherme “Sagu” Mazui quem soprou: “A turma de Produção em Mídia Impressa do último semestre da Unisc produziu mais um Unicom, o jornal experimental do curso de Comunicação Social da universidade. Reformulada, a publicação veio temática. E polêmica. Meninos e Meninas São Diferentes é a manchete da edição. O visual e o conteúdo chamam a atenção. Uma matéria afirma que as mulheres disfarçam os ciúmes melhor do que os homens, outra que elas preferem os caras mais velhos e por aí vai. Gostou? Então vá ao bloco 15 da Unisc e pegue o seu ali no Departamento de Comunicação Social. O Unicom é gratuito.” Na próxima quarta o Mix da Hora, do Gazeta Mix, dará maiores detalhes sobre essa publicação que tem ainda uma matéria sobre uma tal listinha que os garotos fizeram, num dos banheiros do campus, com os nomes das 10 meninas mais bonitas do curso. Tem gente – que não está na lista – que não gostou."

3 de ago de 2007

Repórteres sem Fronteira está preocupado com governo Lula

Para quem, como eu, tem passado boa parte de sua vida profissional em redações, o que consta nesta carta do Repórteres sem Fronteira, assinada por Robert Ménard, secretário geral, e endereçada ao presidente Lula, não chega a surpreender: paradoxalmente, os governos de esquerda, em especial no Brasil, não aprenderam (ainda) a conviver com a imprensa. O trabalho dos jornalistas poucas vezes é compreendido em sua especificidade quando, por exemplo, no cumprimento de uma pauta que envolva setores públicos administrados pelo PT. O mais natural, ao menos ao Sul do Brasil, é uma estrutura de imprensa geograficamente construída de tal forma que todas as informações são centralizadas nas assessorias de imprensa. Até aí, poderíamos dizer: "Tudo bem, faz parte do trabalho das assessorias". Ocorre que as informações, muitas vezes, são divulgadas por este viés com prazos demorados demais e o acesso aos secretários via de regra é dificultado. Quem vive esta realidade - a de se estar em uma redação em meio a este cenário de convivência - sabe do que estou falando.

2 de ago de 2007

A invenção da crise

Marilena Chauí, filósofa, desce a lenha, no site Conversa Afiada, na postura da mídia por ocasião do acidente da TAM. O que mais lhe impressionou foi "(...) a velocidade com que a mídia determinou as causas do acidente, apontou responsáveis e definiu soluções urgentes e drásticas!" Trata-se de um ponto de vista que causa desassossegos os mais diversos para nós, jornalistas, mas que deve ser respeitado, em primeiro lugar, por vir de uma intelectual do porte de Chauí, cujo currículo dispensa comentários. Mas também por se tratar de uma perspectiva alheia ao que é jornalístico-comunicacional em sua especificidade, se é que vocês me entendem. Por este ângulo, o que me parece se evidenciar neste comentário é o reconhecimento da midiatização como vetor de novas ambientações sociais, inclusive jornalísticas. Este é, aliás, o tema de minha tese, que está em construção. Leia a matéria de Marilena Chauí. Opine. Também aqui, entrevista feita pela moçada do portal da Agência Experimental de jornalismo da Unisinos sobre o assunto.

1 de ago de 2007

Autoridades russas internam jornalista a força

Reproduzo trecho da matéria do Comunique-se, morrendo de medo que o Lula fique sabendo e resolva fazer o mesmo. Para tê-la por inteiro, entre aqui .

"A jornalista russa Larissa Arap, 48 anos, foi internada a força em um hospital psiquiátrico pela polícia após escrever uma reportagem com críticas ao tratamento de doentes mentais no país. Larissa também é ativista da Frente Cívica Unida (FCU), movimento liderado pelo ex-campeão mundial de xadrez Garry Kasparov, que acusa o presidente russo Vladimir Putin de “matar a democracia” da Rússia.
De acordo com Yelena Vasiliyeva, chefe regional da FCU, a internação foi um “ato de vingança” das autoridades russas. Ela informou à agência Reuters que Larissa foi obrigada pela polícia a entrar em uma ambulância no dia 05/07 que a levou para um hospital em Murmansk, região russa próxima à Finlândia. Ela tinha ido buscar um certificado em um posto de saúde para renovar sua carteira de habilitação quando um médico perguntou se ela era a autora do artigo e, em seguida, chamou a polícia.(...)"