13 de mar de 2010

Jornalismo sobre investigação

Eis um lançamento relevante quando o assunto é compreender o que se estabelece com os gêneros jornalísticos nos dias que se seguem, neste caso as reportagens ditas investigativas.

Ou seja, que requerem investigação para se estabelecerem como tal.


O que o jornalista Solano Nascimento nos oferece é mais que uma síntese, digamos assim, palatável de sua tese de doutorado, pela UnB, ainda que o seja.

Quer me parecer que o que está posto em Os novos escribas: o fenômeno do jornalismo sobre investigações no Brasil (Arquipélago, 2010), é que há mudanças em andamento no cenário jornalístico e que elas precisam de conceituação para serem compreendidas em sua extensão.

Refiro-me também, mas não apenas, à constatação, na pesquisa realizada por Solano, que o constructo "jornalismo sobre investigação" passa a dividir espaço na mesmo proporção com seu par "jornalismo investigativo".

No primeiro caso, trata-se do jornalismo que se estabelece a partir do que outros investigam, cada vez mais freqüente. No segundo, a partir do trabalho que os próprios jornalistas realizam.

Pesquisa de fôlego, realizada a partir da análise de conteúdo em edições das revistas Veja, IstoÉ e Época que circularam nos anos em que houve disputa eleitoral desde a abertura. Mas também de entrevistas com jornalistas de todo o país.

Sobretudo importante para dentro e fora das salas de pesquisa e aula.

E que me faz observar, uma vez mais, que o sistema midiático-comunicacionais, ao estabelecer relações com outros sistemas pelo viés da irritação, reconfigura seus próprios cenários comunicacionais, estabelecendo, nesse movimento, novas gramáticas operacionais, de natureza discursiva.

Mas essa já é outra pesquisa.

Leiam o livro.

No site da editora é possível ler o prólogo e trecho do primeiro capítulo via fullscreem.

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