10 de jul de 2009

Flagelos e Horizontes no mundo em rede II

Comentei ontem, neste espaço, o capítulo de Francisco Rüdiger no livro Flagelo e Horizontes do Mundo em Rede (Sulina, 2009). É chegada a hora de falar sobre o trecho de Lúcia Santaella (Pós-humano, um conceito polissêmico. pp 101-118).

O texto de Santaella realiza uma espécie de roteiro, quase uma genealogia, da expressão pós-humano, cujo nascimento se verifica pelos 60 e cuja explosão de uso se dá pelos 80, 90. O curioso é que o termo nasce da crítica literária, mas ganha amplitude e forma na cultura pop. Em Lyotard - A condição pós-moderna, de 1979 - a ênfase se encontra nas narrativas, nos jogos de linguagem. Antes dele, Habermas havia abordado o assunto, mas sua análise estava centrada nas questões de autoridade e consenso. Depois destes, observa Santaella, houve uma miríade de vozes discorrendo a respeito do conceito. O curioso é que ela não cita David Harvey, tão em moda por aqueles dias.

Sataella segue sua discussão, entre outros, observando o surgimento do conceito de cyborg, que, segundo, ela, não teria sido inventado por Donna Haraway em 1985 - Manifesto ciborg: ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX -, mas sim resultante da união dos termos cyb (bernetic) + org (anismo) por Clynes e Natan Kline, em 1960. Isso a partir de experimentos realizados com ratos, que recebiam em seus corpos doses controladas de substâncias químicas. Uma vertente biológica.

Ou seja, ao longo do capítulo vamos observando, por meio do mapeamento de Santaella, que o pós-humano se refere à pluralidade das dimensões que o ser-se humano adquire principalmente por meio das transformações tecnológicas que se observam em seu entorno, e que naturalmenre interferem em sua vida. Ambiente este que exige um repensar da condição humana. A conclusão? "(...) o pós-humano tem se ser pensado como uma realidade híbrida não apenas do humano com as tecnologias, mas também o humano com o inorgânico da natureza. Em suma, um ser miscigenado e hipercomplexo está emergindo".

O que tudo isso tem a ver com jornalismo? Nada. Quem disse que teria? Assim que tiver lido mais volto a tecer novos comentários.

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