1 de fev de 2010

Elogiemos os homens ilustres

A dica de leitura deste tórrido princípio de fevereiro fica por conta do Elogiemos os homens ilustres (Cia das Letras, 2009), de James Agee e Walker Evans.

Resultado de uma cobertura feita para a Revista Fortune.

A leitura vale pela história (e pelas histórias dentro da história), claro, mas, principalmente, pela(s) forma(s) com que ela é contada do ponto de vista jornalístico pelo jornalista e escritor James Agee e pelo fotógrafo Walker Evans.

Bom, o contexto é o Sul dos Estados Unidos de 1936; onde eles estiveram por quatro semanas, no auge da Grande Depressão que assolou o país por aqueles dias.

Então é um cenário quente, pobre, empoeirado e decadente.

A forma, no entanto, inova quando o assunto é jornalismo em livro, à revelia do nome que lhe demos (diversional, literário, livro-reportagem etc.).

Na verdade, as formas.

Comecemos pelas 61 fotos de Evans: são cruas, quase ríspidas.

Lembram em muito as de Sebastião Salgado; só posso pensá-las em PB.

Um exemplo:

Já o texto fala da alma de gente; da vida de três famílias de agricultores pobres do Alabama que já haviam perdido quase tudo, inclusive a identidade.

É como se o narrador não estivesse nem aí para descrever o que estava vendo, importando-se principalmente com o que era sentido por aquela gente naquele momento; suas angústia e frustrações, o que implica, claro, em uma aproximação muito grande entre o que narra e o que é narrado.

Leia um trecho do livro.

Tire suas próprias conclusões.

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