Na verdade, dois.

Há alguns meses, ainda no inverno, dois pinhões do pacote que comprei no supermercado tiveram um destino menos cruel que meu êstomago: foram enterrados em um vaso da sala aqui de casa.
Tempo vai, tempo vem, e eis que, lá pelas tantas, dois brotos emergem da terra e se transformam, lenta, porém gradualmente, em pés de pinheiro.
Araucárias angustifolia, para sermos mais específicos.
Até aí tudo bem: comprovou-se o que Lèvy disso há séculos, ou seja, que uma semente é uma árvore do ponto de vista virtual.
Em o sendo, tem tudo para tornar-se uma árvore, a menos que haja alguns problema no transcurso (ser comida, por exemplo).
Mas a questão é: o que faço agora com as duas (lindas) criaturas que estão lá na sala?
Devo doar para algum amigo que tenha pátio em casa? Para a escola de meu filho? Seria didático.
Ou, pura e simplesmente, deixá-los crescer à revelia?
Nas primeiras duas hipóteses, sentirei saudades.
Na terceira, seria cruel com os sobreviventes: moro em apartamento, e apartamentos, sabemos, não combinam com pinheiros.
Gozado isso: há muitos anos, uma crônica que li falava de uma semente de manga enfiada ao acaso em um vaso de uma sacada qualquer do Rio de Janeiro.
Não lembro o que aconteceu daquela feita, mas acabo de descobrir que a solidariedade pode ser retroativa.
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