
Se observarmos com mais atenção, veremos que há dois níveis de referência:
1 No primeiro caso, onde registramos 22 incidências, a FSP explica suas próprias operações no corpo do noticiário por meio do registro, em bold, da palavra Folha. Informações tais como uma visita à sede da FSP, um documento que esta recebeu, uma informação que apurou etc.
2 Nos outros exemplos, onde entram os demais dispositivos, incluindo entre estes as agências de notícia, as referências dizem respeito especificamente a assuntos abordados por estes. Ou seja, são fontes para a FSP.
O que isso tudo que dizer? Quer me parecer que sejam exemplos interessantes quando o assunto é observar o atual cenário midiático-comunicacional em que nos encontramos, ainda que sem maiores rigores científicos. Por outras palavras, ao se referenciar às suas próprias operações, a FSP está fazendo um pouco daquilo de Fausto Neto apontou no capítulo que escreveu do livro Edição em Jornalismo: Ensino, Teoria e Prática (Edunisc, 2006). Ou seja, oferecendo novos critérios de credibilidade por meio de operações de natureza auto-referencial, voltadas ao que ocorre no interior do próprio veículo.
No que diz respeito à co-referência, por fim, é um pouco do que citei em post anterior: em uma perspectiva de jornalismo midiatizado, os dispositivos midiáticos passam a se referenciar cada vez mais em suas operações. Isso ocorre basicamente porque eles estão ligados uns aos outros por meio da internet. A esse fenômeno dou o nome de jornalismo midiatizado.
1 comentários:
O que me preocupa é quando um periódico cita outro como fonte. Sendo que este outro usa uma fonte [pessoa, de fato] para dar a notícia. O jornalismo midiatizado, de certa forma, tira o seu da reta [com o perdão da expressão].
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