
Se observarmos com mais atenção, no entanto, veremos que o livro representa, na verdade, um registro relevante desta nova ordem comunicacional, onde lugares secularmente instituidos - e aqui me refiro especificamente à mídia - passam a ser tão somente nós e conexões de um sistema mais amplo, o midiático, agora amalgamado em rede. Ocorre que esta condição, a de um sistema midiático-comunicacional autônomo em relação aos demais sistemas, interferindo e sendo interferido pelo ambiente em que se encontra, neste caso a sociedade, acaba por implodir as, digamos assim, noções de civilidade que construímos ao longo dos séculos. Quando isso ocorre, questões como autoria, identidade e valores perdem o sentido, caso sejam olhadas com os mesmos olhos que sempre olhamos, modernos.
Mais do que afirmar que isso é certo ou errado; se é catastrófico ou não, como sugere Keen, - e ele efetivamente acredita que é o final dos tempos -, penso que o fenômeno exige novas gramáticas de reconhecimento, ainda por serem criadas. Estamos falando, portanto, de midiatização, ou seja, de uma nova ambientação onde a mídia, mais que suporte, opera como uma espécie de reguladora da sociedade, com tudo o que isso possa significar, interferindo e sendo interferida por esta em suas operações. O texto de Keen ganha mais relevância à medida que o autor não é um corpo estranho à tecnologia, haja vista que, logo na saída, diz de onde veio: em 1990, fundou o Audiocafe.com, um dos primeiros sites a disponibilizar música digital. Faz parte, portanto, da moçada do Vale do Silício.
1 comentários:
Olá, Demétrio. Tudo bem? Sou a Cecília e trabalho na Edelman, agência de comunicação da Jorge Zahar Editor. Gostaria de convidar-lhe para um chat online com o Andrew Keen, autor do livro "O Culto do Amador", nesta sexta, dia 29/05. Vai ser uma boa oportunidade de interagir com o autor e conhecer melhor suas ideias.
Mais informações aqui : http://www.talk2.com.br/?p=596
Um abraço!
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