10 de mai de 2009

Midiatização reconfigura fluxo informativo da Globo

O Fantástico deste domingo acaba de veicular uma notícia que, a meus olhos, reflete bem a perspectiva que defendi em minha tese de doutorado. Ou seja, que os dispositivos jornalísticos-comunicacionais, ao se estabelecerem como vetores de midiatização, são afetados pela processualidade desta. Em palavras simples, midiatização representa uma nova forma de inteligibilidade social, onde a sociedade percebe e é percebida pelo fenômento da mídia. Pois bem, na referida matéria, uma repórter (raramente gravo nomes próprios, desculpem-me) transmite um boletim defronte ao Ministério da Saúde, em Brasília. Algumas pessoas, por meio de recados gravados com webcans caseiras, entram em contato com a Globo para dizer que viram ratos atrás da referida repórter enquanto ela transmitia sua notícia. Isso fez com que o Fantástico produzisse uma matéria sobre este evento, ou seja, sobre o fato de as pessoas terem visto ratos e terem mandado, por meio da web, as imagens à Globo. Matéria esta que, por sua vez, sofreu uma nova mudança de ângulo e acabou se transformando em um relato sobre ratos nas cidades grandes, entre estas São Paulo, onde haveria mais ratos que pessoas, segundo um especialista. É meio nojento, eu sei, mas interessante o fenômeno. Observe-se, e este é um dos pontos analisados em minha tese, que, com isso, o aparato midiático também acaba se reconfigurando por meio de fluxos informativos, complexificando, assim, entre outros, os pólos de emissão e recepção que conhecemos desde há muito, mas também as formas da própria notícia. A este fenômeno dou o nome de jornalismo midiatizado, sobre o que voltaremos a falar mais adiante.

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