7 de set de 2011

Os últimos soldados da guerra fria

O mais recente livro de Fernando Morais, Os últimos soldados da guerra fria (Cia das Letras, 2011), segue na linha de Corações sujos e representa, igualmente, uma grande aula de jornalismo a começar pelo tema: uma rede de espionagem cubana infiltrada em Miami, nos Estados Unidos, quando o usual seria pensarmos em espiões da CIA infiltrados em Havana.

Por quê? Para evitar mais atentados contra Cuba, boa parte deles a bomba, cometidos por cubanos que fugiram para os Estados Unidos quando Fidel, Chê Guevara e sua turma tomaram o poder.

Ou seja, trata de uma visada singular, algo extremamente caro ao jornalismo, sobre um tema que tinha tudo para ser corriqueiro, o que, por si só, já mereceria a leitura.


Há de se falar da linguagem: a narrativa literária, que Morais adota para recontar uma parte da história que bem poucos de nós conhecíamos, empresta ao texto uma amplitude muito interessante, ao ponto de nos permitir duvidar de sua veracidade, apesar dos indexadores (autoria, categorização, explicitação no posfácio etc.), tamanha a riqueza de informações e versatilidade vocabular.

Mas um detalhe, não mais que algumas linhas ao final do livro, chama particular atenção sobre a obra: como Morais, que já havia escrito sobre Cuba, chegou ao tema.

Segundo o que ele mesmo afirma, tudo se iniciou a partir de uma notícia ouvida em uma rádio dos Estados Unidos, durante uma corrida de táxi, dando conta que espiões cubanos estavam sendo julgados por espionagem.

Quem é jornalista sabe o que estou querendo dizer.

Leia um trecho em PDF por aqui.


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