30 de abr. de 2008

A Justiça é a mesma para todos?

Trago, ná íntegra, por importante, matéria veiculada na FSP deste domingo e assinada por Lilian Christofoletti. Como não li a Folha neste domingo (minha culpa; minha máxima culpa...), fiquei sabendo dela por meio de uma newsletter do site O jornalista. A matéria:
"As indenizações por danos morais fixadas em processos iniciados por juízes contra organismos de imprensa têm valor aproximadamente três vezes maior do que as estipuladas em ações movidas por pessoas de outras áreas de atuação. A reportagem analisou as decisões proferidas em 130 processos abertos contra televisões, jornais e revistas de todo o país. Foram consideradas as diferentes instâncias e autorias. Segundo o levantamento, o magistrado que recorreu à Justiça alegando ter se sentido ofendido por alguma reportagem obteve, em média, uma indenização de cerca de R$ 470 mil ou 1.132 salários mínimos. Uma outra pessoa que tenha buscado no Poder Judiciário o mesmo tipo de reparação teve como resposta uma indenização menor, fixada em aproximadamente R$ 150 mil ou 361 salários mínimos. "Eu não tinha idéia disso, estou perplexo", afirmou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello, que disse ser inconcebível existir um tratamento diferenciado entre um magistrado e um cidadão comum (leia texto abaixo). Se o universo dos "não-magistrados" for reduzido para as pessoas comuns, ou seja, se forem excluídos os artistas, políticos, advogados e membros do Ministério Público, a quantia estipulada judicialmente é menor, fica em torno de R$ 120 mil ou 289 salários mínimos. Nesse valor total estão incluídos os processos movidos pelas três pessoas acusadas no caso da Escola Base, que estourou em 1994, quando inocentes foram presos por acusações improcedentes de violência contra crianças. As indenizações fixadas em favor dos três envolvidos foram elevadas -para cada um foi definido, somando as diversas empresas jornalísticas acionadas na Justiça, cerca de R$ 2 milhões por danos morais. Se os processos da Escola Base forem excluídos da contagem, o valor de indenização estabelecido para pessoas comuns que foram em juízo contra a imprensa se reduz para R$ 30 mil por pessoa, ou seja, cerca de 72 salários mínimos.
"O levantamento das sentenças proferidas em diversas instâncias judiciais revelou uma tendência de os juízes das varas cíveis, de primeira instância, fixarem valores mais altos nas indenizações em geral. Essa quantia pode ser modificada na segunda instância (Tribunais de Justiça), para mais ou para menos, e normalmente é reduzida pelos ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) de Brasília, que é a terceira instância judicial. Dificilmente casos de indenização chegam ao Supremo Tribunal Federal (STF). Isso porque processos de reparação financeira são tidos como factuais e dependem mais de uma interpretação de cada magistrado sobre a situação reclamada. A vocação do Supremo é discutir questões constitucionais. Segundo o levantamento da reportagem, em média, juízes de primeira instância fixaram em aproximadamente R$ 940 mil -ou 2.265 salários mínimos- as indenizações por danos morais para os colegas do Poder Judiciário. Nos Tribunais de Justiça (segunda instância) essa média foi reduzida para R$ 236 mil (568 salários mínimos). Quando chegou às mãos dos ministros do STJ (terceira instância), a quantia reparatória foi mantida em cerca de 500 salários mínimos (R$ 207,5 mil).
"Entre os processos analisados, a indenização mais alta estipulada pelo Judiciário contra um organismo de imprensa foi dada numa ação movida pelo juiz Luiz Beethoven Giffoni Ferreira, que era titular da Vara de Infância e Juventude de Jundiaí quando foi acusado de supostas irregularidades em caso de adoção internacional de crianças em 1994. Decisão da primeira instância condenou a Folha a pagar 500 salários mínimos relativos a cada uma das 31 reportagens sobre o caso, o que dá cerca de R$ 6,4 milhões. O processo ainda não foi analisado pelo Tribunal de Justiça".

Lya Luft estará em Santa Cruz no dia 9





29 de abr. de 2008

Momento família

E com vocês, momento família: na foto, eu, Fabi, Pedro e Verônica.

18 de abr. de 2008

Alaic está recebendo trabalhos

Eduardo Meditsch, coordenador do Grupo Temático Estudios sobre Periodismo (Alaic), escreve para dizer que estão abertas as inscrições de trabalhos para o IX Congresso da Associação Latinoamericana dos Pesquisadores da Comunicação (http://www.alaic.net/), que vai comemorar os 30 anos de entidade. O congresso se realizará de 9 a 11 de outubro, na região metropolitana da Cidade do México. Os trabalhos, com texto completo, serão recebidos até 10 de agosto. As inscrições para o GT Jornalismo podem ser feitas no link
http://alaic.net/alaic30/ponencias/est_periodismo.html

Lições que a gente nunca esquece

Um dia, o professor que sempre foi legal com todo mundo pára de falar e fica olhando para a turma. A bagunça se encerra automaticamente. O professor que sempre foi legal com todo mundo volta-se para a turma; olha para nossos olhos com olhos que nunca havíamos visto antes e sentencia: "Vocês sabem qual é o cúmulo da ingratidão?". Claro que ninguém sabia. Ao que ele responde: "É o filho se masturbar, pegar o esperma, estender a mão ao pai e dizer: 'Toma. Não te devo mais nada". Há lições que a gente nunca esquece.

16 de abr. de 2008

Rei morto, rei posto

Rei morto, rei posto. Segundo matéria da Folha Online, a partir da Folha de São Paulo, o jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva, 55, será o novo ombudsman da Folha. Ele passa a atender os leitores na próxima terça-feira, dia 22 de abril. Sua coluna dominical estréia no dia 27. Lins da Silva será o nono profissional a ocupar o cargo de ombudsman na Folha. O jornal foi o primeiro a adotar tal função no Brasil, em 1989. Antes dele, Caio Túlio Costa, Mario Vitor Santos, Junia Nogueira de Sá, Marcelo Leite, Renata Lo Prete, Bernardo Ajzenberg, Marcelo Beraba e Mário Magalhães atuaram como representantes dos leitores. Magalhães pediu demissão porque a direção da empresa pediu que ele não publicizasse mais a crítica interna. Esta, por sua vez, alega que isso foi feito porque "(...) a crítica interna vinha sendo utilizada pela concorrência e instrumentalizada por jornalistas ligados ao governo federal ". Veja aqui a matéria na íntegra.

13 de abr. de 2008

Meu nome (snifs) não é Johnny

O domingo amanheceu com chuva em Santa Cruz do Sul, onde moro, de formas que uma dica de leitura cai bem. A sugestão é Meu nome não é Johnny: a viagem real de um filho da burguesia à elite do tráfico, do jornalista Gabriel Fiúza e pela Editora Record (2007). A apresentação é de Zuenir Ventura. O texto foi publicado originalmente no Japão em 2006.
Quem assistiu ao filme, como eu, antes de ter lido o livro, já fazia idéia o que iria encontrar, só que não com tantos detalhes. Mesmo porque, Selton Melo - no filme, claro -, no papel de João Estrella (o cara aí da foto), matou a pau, o que não chega ser beeeeeeeeeeeem uma novidade. Cléo Pires está bem legal, também.
Mas o livro é um algo, apesar de algum vaciolo estilístico aqui e ali: segue na esteira do Abusado, by Caco Barcelos, jornalisticamente falando. Ou seja, uma boa história, contada por um bom contador de história, ao redor de um cenário pouco conhecido em termos de Rio de Janeiro.
O enredo é o seguinte: João Estrella gostava de cheirar cocaína. E de fumar baseado e de tomar ácido, e... Bem, aí ele começou a cheirar bastante. Como seus amigos também gostavam de cheirar bastante, ele então começou a comprar para ele e seus amigos poderem cheirar bastante cada vez mais. E aí a coisa foi, digamos assim, crescendo. E se complicando.
Bueno, leiam. Eu paguei (na verdade, foi a Fabi quem comprou) R$ 44,00. Vale a pena.

11 de abr. de 2008

Visita à Gazeta do Sul

A foto registra a visita de minha turma de Fundamentos de Jornalismo Impresso, da Unisc, onde também leciono, ao jornal Gazeta do Sul, de Santa Cruz do Sul. A idéia foi reduzir a distância entra a sala de aula e o mercado de trabalho por meio da visita a um veículo. Os alunos que estão aí na foto, não necessáriamente nesta ordem, são Berenice Bohnen; Cristiane Ceci Inocencio; Daiane Lais Kalsing; Daniel Longaray; Emilin Silva; Fernanda Finkler; Fernando Kellermann; Ingrid Guedes; João Cleber Almeida; Lisane Mesquita Marques; Luana Parreira Rodrigues; Patrícia Parreira; Patrícia Paz Silva; Rodrigo Trabulse Vianna; William Ceolin e Gilmar Wandel. À direita está o diretor-secretário de redação da Gazeta, Romeu Neumann; ao lado dele este que vos tecla e depois a moçada, em plena redação.

Giovane Grizotti estará na Unisc


Unisc promove mostra de comunicação

Transcrevo newsletter do Curso de Comunicação Social da Unisc, onde também leciono:
"Até o dia 22 de abril estão abertas as inscrições para os alunos do curso de Comunicação Social da Unisc inscreverem trabalhos para a I Mostra de Curso da Comunicação Social. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas na coordenação, sala 1506, bloco 15 do câmpus, nos turnos manhã, tarde e noite.
Podem ser inscritas peças produzidas nas diferentes disciplinas do curso nas categorias áudio, vídeo, impresso, online, fotografia, incluindo reportagens, spots, jingles, história em quadrinhos, curta-metragem, documentários, telejornal, radiojornal, jornal, revista, blog, site, fotografia jornalística e publicitária, entre outras modalidades.

Uma cópia de cada trabalho deve ser entregue no ato da inscrição, com exceção dos trabalhos de vídeo e áudio, que serão indicados pelos alunos e buscados pelos organizadores no acervo do curso.
A I Mostra acontece dia 15 de maio, nos turnos manhã e noite, entre os blocos 14 e 15, numa promoção da coordenação do curso, com execução pela Agência Experimental em Comunicação. O evento se destina aos alunos de Comunicação e tem como objetivo divulgar entre os acadêmicos da Comunicação as produções das quatro habilitações – Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Produção em Mídia Audiovisual e Relações Públicas. Também será um momento de entrosamento dos alunos, especialmente dos calouros.
Com 14 anos de existência, o curso de Comunicação Social da Unisc já consolidou uma produção experimental ganhadora, inclusive, de prêmios nacionais em mostras competitivas universitárias. A Mostra é uma das iniciativas para divulgar esta produção".

10 de abr. de 2008

Impressos x on-line: mais do mesmo

Esta é de Luiz Weis, veiculada no Observatório de Imprensa.
Um trecho:
"Eric Alterman, o repórter de mídia da revista semanal New Yorker, escreveu um dos melhores artigos concebíveis sobre a disputa entre jornalismo impresso e jornalismo online nos Estados Unidos – e olhe que o que o assunto já rendeu não está escrito, como se diz. Na linha das matérias de fundo da revista, o artigo é grande em sentido literal também: tem 6.600 palavras, ou 10 telas em Times New Roman 12.
Chama-se “Out of print” (fora de circulação, ou esgotado), com o sub-título esperto “The death and life of the American newspaper” (a morte e a vida do jornal americano). Pode ser lido em
http://www.newyorker.com/reporting/2008/03/31/080331fa_fact_alterman. (...)".
Veja aqui o texto na íntegra.

Eu também quero ser indenizado

Deu no Comunique-se: o Ziraldo mereceu ter ganho R$ 1 milhão a título de indenização pelos anos, digamos assim, hard da ditadura. Trecho da matéria: "É assim que o jornalista responde às críticas quanto ao recebimento de indenização – são R$ 1 milhão – que tanto o jornalista quanto Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, o Jaguar, tem a receber do Ministério da Justiça pela anistia (perdão de crime político) durante a ditadura militar. O documento está no blog do jornalista Ricardo Noblat.
No abaixo-assinado a ser encaminhado ao ministro da Justiça, Tarso Genro, pede-se para reavaliar o valor, algo em torno de R$ 1 milhão a ser recebido em precatórios. O documento anônimo diz ainda: “(Ziraldo e Jaguar) transformaram em negócio o que pensávamos ter sido feito por dignidade pessoal e bravura cívica.”
“A ditadura não só não provocou danos terríveis a Ziraldo e Jaguar, como agora os enriquece e os torna milionários à custa de um país de miseráveis e doentes”, diz o texto.
Ziraldo pergunta se as pessoas que estão assinando este abaixo-assinado hoje colocaram a cara para bater na época da ditadura. O jornalista conta ter sido preso por três vezes. “Fui seqüestrado em casa na frente dos meus filhos.”
Diz ainda que os veículos Saci Pererê, com 150 mil exemplares, Cartum JS foram fechados. E que o jornal Pasquim recebera um atentado à bomba. "As ações da ditadura que sofreu justificam as indenizações", afirma Ziraldo. E conta mais: “Nenhum de nós contou o que aconteceu direito na ditadura porque na época os jornais eram todos de direita.”

9 de abr. de 2008

Ombudsman da Folha pede demissão

Malhas que o império tece, diria Fernando Pessoa: eis que o ombudsman da Folha de São Paulo, Mário Magalhães, pediu para deixar o cargo. Motivo? A direção da Folha pediu que ele baixasse a bola: "A Folha condicionou minha permanência ao fim da circulação na internet das críticas diárias do ombudsman. A reivindicação me foi apresentada há meses. Não concordei", disse Magalhães em sua última coluna, domingo, 6. O que isso significa? Muitas coisas, entre elas o óbvio. Mas deixemos as sentenças para os juízes. De minha parte, acho isso ruim, muito ruim, à medida que deixa a Folha - e todo o entorno jornalístico -, mais igual, com alguma ausência de cor.
Pra quem não sabe, segundo expediente da coluna, "Mário Magalhães é o ombudsman da Folha desde 5 de abril de 2007. O ombudsman tem mandato de um ano, renovável por mais dois. Não pode ser demitido durante o exercício da função e tem estabilidade por seis meses após deixá-la. Suas atribuições são criticar o jornal sob a perspectiva dos leitores, recebendo e verificando suas reclamações, e comentar, aos domingos, o noticiário dos meios de comunicação".

Sobre vagas na comunicação

Repercuto e-mail que recebi de Marcos Palácios, por meio da lista de sócios da SBPjor:
"Os recentes anúncios de abertura de concursos nas universidades federais estão marcados por um viés que me parece muito preocupante: um foco por demais estreito na formação de origem dos possíveis candidatos aos concursos. Como o Reuni (Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais) deve gerar um considerável número de vagas para a área de Comunicação, acredito que o assunto mereça imediata discussão.Explico-me: para literalmente todas as vagas abertas em concursos recentes nas universidades federais brasileiras para Área de Comunicação, os editais trazem a exigência de Bacharelado em Comunicação como condição de inscrição.É o caso, só para citar o mais recente exemplo, das duas vagas oferecidas para Teoria da Comunicação na Universidade Federal da Paraíba. O edital estabelece:*Área de conhecimento objeto do concurso: Teorias da Comunicação*Áreas conexas: Ciências Sociais, Sociologia Artes, Ciência da Informação, Educação,História, Letras, Antropologia.*Requisitos Mínimos: Mestrado em Comunicação ou áreas conexas; com Bacharelado em Comunicação Social.*Numero de vagas: 02 (duas)Reparem que são mencionadas - de maneira bastante ampla - as "áreas conexas", mas ao final vem a condição excludente: somente serão aceitos candidatos "com Bacharelado em Comunicação Social".Que em concursos para matérias diretamente relacionadas à prática profissional de Jornalismo seja exigida - por força de lei e do corporativismo vigentes - graduação com habilitação na área específica, é algo compreensível, ainda que discutível. Mas quando um concurso para Teorias da Comunicação fecha o foco exclusivamente em candidatos com "Bacharelado em Comunicação Social" o alarme deve soar. Afinal, temos hoje no Brasil 27 Programas de pós-graduação stricto senso (Mestrados e Doutorados) em Comunicação. Nenhum deles faz restrições à área de formação dos candidatos para admissão. É de se esperar que os Mestres e Doutores formados por tais Programas possam atuar como docentes e pesquisadores na área de Comunicação Social, independentemente de seu título de Bacharel. Se assim não for, melhor que os cursos passem a exigir Bacharelado em Comunicação como condição de entrada paras seus Mestrados e Doutorados. Apesar do absurdo, pelo menos a coerência seria maior".

7 de abr. de 2008

Palestra de Grizotti será no dia 16

A palestra do jornalista investigativo Giovani Grizotti, prevista para esta quarta-feira, 9, terá de ser transferida: ele acaba de informar que teve de se descolar com urgência para algum lugar da fronteira, onde o Ministério Público está realizando uma operação.
Com isso, o evento fica transferido para a próxima semana, quarta-feira, 16.

Avisem a todos, por favor.

E anotem os (novos) dados:

O quê: palestra sobre jornalismo investigativo
Quem: Giovani Grizotti
Quando: dia 16, quarta-feira, às 8 horas
Onde: Unisc, anfiteatro do direito
Como: palestra e diálogo com estudantes
Por quê: como forma de ampliar as discussões estabelecidas nas disciplinas de jornalismo do curso