A quem interessar possa: este é meu filho, Pedro, no alto de seus nove meses, após o banho.
Um observatório contra a censura
Há 2 dias
Deixando de lado a verborragia desvairada do Lobão, que outro dia esteve palestrando na Unisc, onde também leciono, um trecho de sua fala chamou atenção em particular, por relevante. Lá pelas tantas, o sujeito disse que, apesar de ter sido o primeiro músico brasileiro a disponibilizar uma música sua gratuitamente pela web (no final da década de 90; registrou, segundo ele, 350 mil dowloads)- e de entender, portanto, a web como um importante canal de comunicação - deixou claro, lá pelas tantas, que isso não basta. É preciso estar na tevê (usou o exemplo do Faustão, creio), no rádio, nas revistas (citou a Rolling Stone) para "acontecer". Traduzindo, e puxando o assado para meu braseiro: mais que circular, é preciso estar referendado pelos dispositivos midiáticos. Isso para que haja, aí sim, mais possibilidade de a informação ser transmitida de um lugar a outro (a interpretação é minha). Ou seja, é preciso estar no sistema midiático-comunicacional para, a partir dele, existir na sociedade, haja vista que não podemos pensar em um sem outro. A internet é parte fundamental deste processo, à medida que permite aos fluxos de informação terem lugar, emprestando aos dispositivos o papel de nós e conexões do sistema. É mais ou menos nesta direção que caminha minha tese. A foto é de Márcia Melz, amiga e aluna, por ocasião da coletiva que antecedeu a palestra, na quinta passada.
A versão on-line da Revista IHU, do Instituto Humanitas, da Unisinos, dispobiliza alguns textos muito interessantes sobre Midiatização, em HTML e PDF. Este é, aliás, o tema-geral da edição. Os textos - na verdade, transcrições de entrevistas - são de Pedro Gilberto Gomes, José Luiz Braga, Antonio Fausto Neto (orientador de minha tese) e Jairo Ferreira, pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Unisinos. Também se inserem na publicação Muniz Sodré, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Escola de Comunicação; Daniel Dayan, diretor de pesquisa no Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS), de Paris, membro do Marcel Mauss Institute (École des Hautes Études en Sciences Sociales) e professor de Sociologia da Mídia na Universidade de Genebra; além de Dênis de Moraes, professor do Departamento de Estudos Culturais e Mídia e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense.
O Diz aí! - jornal-mural do Curso de Jornalismo da Unisc produzido para a Agência Experimental de Jornalismo é uma realidade desde ontem, quando finalmente ficou pronto e já se encontra nos murais e salas de aula. O mérito da iniciativa é das alunas Letícia Mendes, Daiane Balardin, Márcia Melz (edição de fotos) e Gelson Pereira (projeto gráfico/diagramação), por meio da disciplina de Estágio Supervisionado. A realização do Diz aí!, que inclui um blog (em fase de desenvolvimento), foi a tarefa que coube aos alunos durante seu estágio na Agência Experimental de Jornalismo da Unisc. Que eles saibam ocupar seu espaço.
Acredite se quiser: houve um tempo em que a Veja não apenas era uma grande revista como dava uma dor de cabeça danada aos agentes da censura no (des) governo militar. Tanto que, por um longo período, muitas de suas matérias foram simplesmente proibidas de circular basicamente porque iam, digamos assim, contra os princípios da "Revolução", que é como os milicos chamavam o Golpe de 64. A prova disso são os originais das matérias censuradas, guardadas nos arquivos da revista, que Maria Fernanda Lopes Almeida vem pesquisando desde 1998 e que agora toma forma de livro pela editoria Jaboticana (2008). O texto de 1968-1976: Veja sob censura é bom, em primeiro lugar, porque nos ajuda a compreender os mecanismos por meio dos quais as forças da repressão impunham sua vontade no período de 1968 a 1976. Mas também porque traz informações muito preciosas sobre o lançamento daquela que viria a ser a maior revista de informação do país, com tudo o que isso possa significar. Eu recomendo.
Para quem ainda não o conhece, apresento Gabriel Renner by Estúdio Pinel; longa vida a ele, pois.
Grid Focus é um tema criado por Derek Punsalan 5thirtyone.com e adaptado por Márcia Lima