Mostrando postagens com marcador Twitter. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Twitter. Mostrar todas as postagens

19 de set. de 2010

Anotações sobre a midiatização

Quando o assunto é observar as afetações que o jornalismo sofre ao ser atingido pela processualidade da midiatização, midiatizando-se, são em número de três as complexificações mais visíveis, a saber: auto-referência, co-referência, e, finalmente, descentralização.

Ou seja, neste cenário, midiatizado, o jornalismo, enquanto prática social de sentido e de natureza discursiva, volta suas operações a) para o interior do sistema midiático, b) para os dispositivos que compõem o sistema midiático e, finalmente, c) deixa de ser um lugar central do ponto de vista institucional, tornando-se, agora, nó, conexão de um sistema mais amplo, cuja centralidade se estabelece em sua processualidade, regida por fluxos informacionais.

Escrevo isso para dizer que acabo de me deparar, via site do UOL, com um exemplo bastante interessante de como a auto-referência e a co-referência se estabelecem em uma perspectiva de web, envolvendo um portal e o twitter.


É o que se verifica na seção "Celebridades" do UOL, por meio de matéria dando conta que o apresentado de televisão Luciano Huck havia postado, no twitter, um desabafo sobre a forma como os motoristas de ônibus de São Paulo dirigem.

Por este viés, um dispositivo (o site UOL, pela seção "Celebridades") se pauta, em primeiro lugar, pelo que ocorreu no interior do sistema midiático-comunicacional, em uma perpectiva auto-convergente. Ao fazê-lo, co-referencia a operação de outro disposivo (o twitter), caracterizando, como disse, dessa forma, o momento em que a midiatização interfere na processualidade do jornalismo.

Observa-se, aqui, também um descolamento do estatuto da notícia.

Ela passa a existir, em primeiro lugar, a partir do momento em que a própria fonte (o apresentador) relata o ocorrido por meio da rede social. Com isso, rompe a delicada membrana entre ambiente e sistema e conduz - a fonte, não o repórter - o acontecimento para dentro do sistema, onde as operações terão lugar daí para a frente até que ela seja novamente devolvida para o ambiente em que o sistema se insere até ser novamente reabsorvida.

Nete movimento, transforma e é transformada, em um ciclo que se encerra somente com a extinção do acontecimento.

11 de dez. de 2009

Sobre fotografias e fotógrafos

Cheguei e esta por meio de @afmarco, by twitter.

Sobre o que deveria estar nos livros de fotografia.

(Clique na imagem para ver melhor.)

28 de ago. de 2009

Uns fakes são mais fakes que outros

Tenho dito, aqui e ali, sem pretensões totalizantes, que o uso reconfigura a forma, particularmente nas redes sociais. É o que ocorre, por exemplo, com o fenômeno fake, comum em locais como orkut, twitter, facebook, myspace etc.

No orkut, por exemplo, o fake é geralmente bem visto. Com uma condição: que seja absolutamente fake. Aprendi isso com Verônica, minha filha, que logo ali fará 14 anos.

Trata-se de uma brincadeira muito parecida com o que os escritores fazem com suas criações.

Em se tratando de fake no orkut, sai do jogo (na verdade, nem entra) quem for de verdade, ou parecer de verdade. Neste sentido, a rede social se transforma em suporte/dispositivo para uma nova rede que se estabelece, claro, a partir do orkut, mas que se reconfigura identitáriamente tendo como ponto de partida personagens de natureza ficcional. O usuário, neste caso, transforma-se em narrador, e o ambiente adquire nuanças de diegese.

No twitter, por sua vez, parece ocorrer exatamente o contrário.

Nele, as identidades fakes são vistas como intromissoras e tendem a ser deletadas e/ou denunciadas quando descobertas. Os fakes, aqui, podem ser tanto famosos quanto ilustres desconhecidos. Não importa: o perfil de uso do twitter parece não admitir este tipo de comportamento.

Tudo isso acaba por fazer com que o fenômeno fake seja alvo de ações mais pontuais na web 2.0, como bem aponta Alex Primo ao se referir, em post, ao Fakeland. Ou a preocupações específicas sobre a segurança nestes ambientes.

Não se trata de discutir a forma certa ou errada; o comportamento mais adequado, mas de observar que, em se tratando de redes sociais, a forma de uso reconfigura o perfil do dispositivo.

Compreender o que isso significa é o desafio que se apresenta.

5 de ago. de 2009

Twitter ultrapassa o Orkut

Leio no Coletiva.net notícia dando conta que o Twitter acaba de ultrapassar o Orkut em número de usuários. Segundo a matéria, a partir de dados divulgados pela empresa de estatísticas comScore, "(...) a rede de microblog possui 44,5 milhões cadastrados. O site de relacionamentos, segundo números do Google, conta com a participação de 35 milhões de pessoas".

Equivale a dizer que o Twitter está em 52º lugar na classificação dos maiores sites do planeta. A marca dos 44,5 milhões teria sido alcançada em julho, de acordo com a mesma fonte, depois de 7 milhões de novos usuários se associaram ao serviço.

Estatísticas à parte, olho com especial interesse o Twitter por pelo menos quatro motivos, para além daquilo que eu já havia dito em outro momento:

1 A moçada mais jovem - e Raquel Recuero está escrevendo sobre isso, segundo informa pelo próprio twitter (@raquelrecuero) - parece não ter se interessado muito pela novidade. Prefere o Orkut ou sua variação, o fake.

2 A forma como o twitter vem sendo utilizado está reconfigurando seu uso; o que, aliás, parece ser uma característica dos dispositivos 2.0, haja vista que com os blogs ocorre o mesmo, ainda que de forma mais lenta, digamos assim. Ou seja, o espaço de registro - What are you doing? - não raro toma feições de chat e abre espaço para conversações entre seus usuários.

3 Trata-se de um dispositivo que, por sua versatilidade, contribui de forma mais eficiente para o que eu chamo de amalgamento do sistema midiático-comunicacional. Ou seja, por meio do Twitter os jornais, revistas, rádios, televisões, sites e blogs estabelecem conexões com mais rapidez, contribuindo, desta forma, para a autonomização do referido sistema.

4 Ato contínuo, as operações do twitter parecem ser (é preciso checar isso melhor) hegemonicamente auto-referenciais. Ou seja, voltam-se para o interior do sistema em que se inserem, e não necessáriamente para o ambiente onde este se localiza.

Brinquedinho interessante este tal de Twitter.

Meu endereço, nele, é: @dsoster

27 de jul. de 2009

Baguete entrevista brasileiro no Twitter

O site Baguete publicou há pouco, e eu repico neste espaço (fiquei sabendo pelo Twitter - @marcialima), entrevista que Márcia Lima, repórter, realizou com Vitor Lourenço, 21, - designer desde 12 -, que, depois de criar (de forma voluntária) um serviço complementar ao Twitter, foi contratado pela empresa.

Ou seja, o rapaz não apenas se mudou de São Paulo para o Vale do Silício como foi o responsável por melhorar a interface web da ferramenta. Ainda segundo o lead da matéria assinada por Márcia, em visita a Porto Alegre "(...) o designer participou de uma conversa com cerca de 80 entusiastas do Twitter durante o RED Talks".

Reproduzo abaixo dois trechos da entrevista. A matéria completa, com áudio, por aqui.

Como surgiu a oportunidade de trabalhar no Twitter?

Vitor Lourenço: Comecei a trabalhar após construir um serviço chamado FoodFeed, mashup que permite acompanhar e analisar seus hábitos alimentares em uma plataforma que funciona em cima do Twitter.

Depois disso, o CEO do Twitter Evan Willians, encontrou o serviço, ficou muito interessado e então chegou ao meu portifólio. Me convidou para fazer um serviço junto a eles, então me convidou para trabalhar no redesign do site, remotamente a partir de São Paulo, e depois como designer full time da empresa, em San Francisco-EUA.

(...)

Quais foram as contribuições do teu trabalho para o Twitter?
Vitor Lourenço:
Participei do último redesign, em setembro do ano passado, quando criamos uma nova interface cuja prioridade era aprimorar a experiência do usuário e a simplicidade da ferramenta.

Além disso, criei os 12 temas, focados em diferentes tribos, que permitem uma personalização do perfil de cada usuário sem muito esforço. Não trabalhei apenas no design, mas também com programação e desenvolvimento do site.

Somos uma equipe de quase 50 pessoas, a maioria engenheiros trabalhando em escalar o Twitter para novos usuários e criar funcionalidades.

Dentro do setor de engenharia estão os designers, eu e mais dois. Trabalhamos tanto no sentido de projetar melhorar a interface web, como criar novidades e expandir nossas aplicações.

Sempre que pensamos em uma feature nova, devemos estar atentos a como ela poderá afetar o SMS, os clientes de desktop etc. A ideia é sempre manter a compatibilidade com o que já temos.

Um diferencial é que os designers trabalham com código. Estamos envolvidos em todo o processo, desde a concepção de ideias, até análise do usuário, novas implementações".

21 de jul. de 2009

Twitter é utilizado por 74% dos internautas

Newsletter do site Comunique-se chama atenção para matéria importante veiculada no site: O MSN é utilizado por 74% dos internautas residenciais ativos no Brasil. Os dados são do Ibope/NetRatings ainda do ano passado. Isso representa um total aproximado de 17,1 milhões de pessoas por mês. Segue o texto: "Embora tenha se popularizado como lazer, a ferramenta também já serve ao trabalho. No meio jornalístico, virou um canal para buscar informações, localizar cases e facilitar a comunicação entre equipes". Confique o restante da matéria por aqui. O texto é assinado por Clarisse Passos e Svendla Chaves

20 de jul. de 2009

Reconfigurações jornalísticas via twitter


Reproduzo, por relevante, trecho do post que meu Amigo Fernando Firmino veiculou ontem, domingo, em seu blog, o Jornalismo Móvel. Tem a ver com reconfigurações, desta vez a partir do Twitter:

"O jornalismo passa por diversas discussões na atualidade no âmbito do seu modelo de negócios, da relação com a audiência, das grades curriculares dos cursos, da formação profissional. O background desta discussão decorre da emergência das tecnologias digitais, do processo de convergência e da comunicação móvel. Alguns visualizam como uma crise, outros como novas oportunidades. O importante a observar é que, de fato, há mudanças significativas na prática jornalística associadas a fenômenos emergentes impactando o modo de fazer, o modo de consumir e o modo de compartilhar notícias (nos seus diversos formatos). Qualquer que seja o ângulo identificaremos tensões no campo do jornalismo e na indústria do entretenimento.

Os microblogs, essencialmente o Twitter, têm sido um dos desencadeadores destas reconfigurações. Como o jornalismo está se adaptando e explorando estas potencialidades? Como fica a relação com a fonte quando esta lança primeiro no Twitter as informações exclusivas? É perceptível a adoção rápida desta ferramenta nos mais diversos segmentos (políticos, artistas, acadêmicos, esportistas, mídia....) e isto transforma as relações não somente entre o público, mas também com a mídia. Técnicos e dirigentes de times de futebol anunciam as informações de impacto dos seus clubes no Twitter; políticos disparam no microblog as notícias parlamentares e de votações relevantes; os usuários divulgam suas críticas positivas ou negativas de filmes e outros serviços no Twitter. Enfim, há uma infinidade de usos que transforma esta ferramenta numa poderosa rede social (e móvel) que faz circular instantaneamente um conjunto de dados que abre possibilidades de utilização inimaginável para o jornalismo, para as empresas e para os usuários. (...)"

O post completo você acessa por aqui.

27 de jun. de 2009

Twitter e tevê dialogam mais intensamente

A cada dia que se passa encontro mais exemplos do que trabalhei em minha tese, ainda que neste caso não diretamente voltado ao jornalismo. Ou seja, mostras de que, em um cenário de profunda imersão tecnológica, o sistema midiático-comunicacional tende a voltar suas operações para seu próprio interior, em uma perspectiva auto-referencial. Com isso, adquire contornos mais visíveis em relação aos demais sistemas (econômico, político etc.), autonomizando-se. Mas não apenas: interfere e é interferido pelos demais sistemas, funcionando como uma espécie de regulador destes. Ocorre que, quando isso se verifica - e eis minha tese - também os dispositivos que compõem o sistema midiático se midiatizam, ou seja, sofrem afetações as mais diversas.

É o que se pode observar, por exemplo, na matéria publicada na página E10 da Ilustrada, by Folha de São Paulo, deste sábado. O texto, intitulado "Fenômeno da internet, Twitter conquista a TV", explica como os apresentadores de televisão brasileiros estão se utilizando dos microblogs para se aproximar da audiência. Ou, por outras palavras, registra a mudança de operação que se estabelece quando os dois dispositivos - twitter e televisão - encontram-se no mesmo plano operacional, o que só é possível se pensar considerando-se a internet como um elemento que amalgama o sistema midiático.

O fato de a mídia dialogar com a própria mídia é novidade? Certamente que não. Isso sempre ocorreu. A diferença é que agora isso parece estar ocorrendo com mais intensidade, basicamente porque o momento evolutivo atual, de profunda imersão tecnológica, é substancialmente diferente de tudo o que vimos e vivemos até então. A internet, como observei, é parte fundamental deste processo. A isso chamo de midiatização.

Para quem assina a Folha, entre na matéria por aqui.