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4 de mar. de 2010

Jornalismo, conhecimento e objetividade

O conhecimento, ou melhor, a busca pelo, é muito semelhante ao trabalho, digamos, de um garimpeiro, com o perdão do lugar-comum: exige esforço e dedicação, mas, sobretudo, possui a capacidade de nos surprender aqui e ali com achados tão raro quanto preciosos.

É o que ocorre, por exemplo, com os títulos da coleção Jornalismo a rigor, da Editora Insular, ,já comentados nestas dicas de leitura: representam, individualmente e em seu conjunto, contribuições muito importantes, por relevantes, para compreendermos o jornalismo e suas formas.

É o caso do volume 4 da coleção, intitulado Jornalismo, conhecimento e objetividade: além do espelho e das construções (Insular, 2009), de Liriam Sponholz.

Mais que um livro escrito a partir de uma tese defendida em Leipzig, onde tudo se iniciou, trata-se de uma demonstração clara do vigor que a pesquisa em jornalismo alcançou.

Vigor e originalidade, diga-se: o que está posto, aqui, é a tentativa de se compreender a objetividade jornalística não como algo menos legítimo, como sugerem nove entre dez pesquisadores, mas como uma diferença que estabelece diferença.

Ou seja, como algo possível, ainda que, como a própria autora admite ao seu final, com poucas chances de ocorrer no cenário em que nos encontramos.

Eu leria se fosse você.

20 de dez. de 2009

Qualidade da informação jornalística

Livro lido, livro comentado/sugerido.

A sugestão, desta vez,é A qualidade da informação jornalística: do conceito à prática, de Carina Andrade Benedeti (Insular,2009). Trata-se do segundo volume da série Jornalismo a Rigor.

O que está posto aqui, como o nome sugere, é uma tentativa de compreensão do conceito de qualidade aplicada ao jornalismo, por meio de dois viéses: de natureza teórica-conceitual (Parte I - Fundamentos conceituais da qualidade da informação jornalística) e pela observação empírica (Parte II - A prática como fonte de respostas).

Leitura necessária, em especial quando nos damos conta que a qualidade usualmente é tratada como uma questão menor no campo acadêmico.

Mais que isso, só lendo o livro.

Carina Andrade Benedeti é mestre em Comunicação Social – linha de pesquisa Jornalismo e Sociedade – pela Universidade de Brasília (UnB) e graduada em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo – pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Em 2007, recebeu o Prêmio Adelmo Genro Filho pela dissertação de mestrado publicada neste livro.

12 de dez. de 2009

Jornalismo, fatos e interesses

A dica de leitura de hoje vai para Jornalismo, fatos e interesses: ensaios de teoria do jornalismo (Insular, 2009), de Wilson Gomes, livro que inaugura a série Jornalismo a Rigor, dirigida por Eduardo Meditsch.


A leitura do livro é necessária (e prazeroza, diga-se) já a partir do gênero que se utiliza para discorre sobre o tema proposto: ensaio. Com isso, permite ao autor um posicionamento mais claro em relação ao que está escrevendo, tornando o texto, digamos assim, mais orgânico, com tudo o que isso possa significar.

É o que se observa, por exemplo, em especial na terceira e quarta partes do livro, que abordam, respectivamente, os temas "Jornalismo e interesse público" e "Opinião pública e jornalismo". Nelas, Gomes levanta questões tão importantes quanto inquietantes, sobretudo atuais, como, por exemplo, se o interesse público (ainda) é o princípio fundamental do jornalismo.

Mais que isso, como de costume, só lendo o livro.

Em tempo: Wilson Gomes é Professor Titular de Teoria da Comunicação da Universidade Federal da Bahia e pesquisador (CNPq-1B) do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas daquela universidade.

4 de dez. de 2009

A escola de jornalismo

A sugestão de leitura da semana vai para o livro "A escola de jornalismo - a opinião pública", de Joseph Pulitzer (Insular, 2009), cuja leitura acabei há pouco.

O texto é importante, em primeiro lugar, porque é a primeira vez que é traduzido para o vernáculo, mas também porque representa uma vigorosa defesa do ensino superior em jornalismo a partir de ninguém menos que Joseph Pulitzer. Trata, portanto, de formação em jornalismo, o que o torna ainda mais indispensável.

Contextualizando: a pedido do editor da The North American Review, Pulitzer escreve um artigo em defesa da Escola de Jornalismo da Universidade de Colúmbia, que ajudara a criar por meio de uma generosa quantia em dinheiro. Isso em resposta às críticas que a mesma vinha sofrendo. Ao fazê-lo, acabou por estabelecer as grandes diretrizes do jornalismo moderno.

Mais que isso, só lendo o livro.

A edição, bilíngüe, é o terceiro volume da série "Jornalismo a rigor", dirigida por Eduardo Meditsch, parceria entre a Insular e o Programa de Pós-graduação em Jornalismo da UFSC.

A tradução, competente, fica por conta dos irmãos Eduardo e Jorge Meditsch.

24 de fev. de 2009

Insular lança série Jornalismo a Rigor

Recebo, via SBPJor, o seguinte e-mail de Eduardo Meditsch, amigo, colega e professor da Federal de Santa Catarina, também diretor da Série Jornalismo a Rigor, da Editora Insular. Transcrevo na íntegra, por relevante:
“Se a teoria na prática é outra, então há algo errado na teoria.” Com esta constatação, feita há duas décadas, Adelmo Genro Filho nos desafiou a construir uma autêntica Teoria do Jornalismo. Mas, como na mesma época observou Nilson Lage, essa seria uma tarefa para mais de uma geração. A Série Jornalismo a Rigor é uma iniciativa da Editora Insular, em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC, que vem se somar a este esforço coletivo que já tem história no campo. Objetiva publicar reflexões acadêmicas de alto nível que contribuam para elevar o senso crítico e a qualidade da prática do Jornalismo como atividade intelectual.
Com vocação multidisciplinar, a Série aponta, no entanto, para a construção de uma Teoria do Jornalismo de direito próprio, que responda às questões suscitadas de dentro desta importante prática cultural. Procura assim ajudar na superação do complexo de inferioridade de uma área que se deixou colonizar intelectualmente. Não deixa, com isso, de agregar as contribuições das áreas vizinhas, mas, como propunha Otto Groth, as situa sempre como “ciências auxiliares” da nova disciplina. Busca também enfrentar os muitos preconceitos contra o Jornalismo, gerados em setores acadêmicos e campos sociais outros, e tantas vezes internalizados de forma a-crítica pelas escolas de comunicação.
A Série Jornalismo a Rigor entende a Teoria como um percurso que necessariamente se distancia da prática, mas apenas para vê-la de um outro modo. Objetiva voltar a ela para transformá-la, e perde o sentido se ficar no meio do caminho: Paulo Freire advertia que o mero “balé dos conceitos” vira uma atividade supérflua que distrai a vida acadêmica e a afasta da realidade. Como nas Teses sobre Feuerbach, a práxis aqui é vista como fundamento autêntico e finalidade de toda a teoria. A práxis em que está focada a Série é a que ocorre no Jornalismo, produção social de conhecimento diferenciada, estratégica e imprescindível para a sociedade contemporânea. Que, por tudo isso, precisa sempre ser melhor pensada.

Abaixo, referências do primeiro livro da série Jornalismo a Rigor
JORNALISMO, FATOS E INTERESSES: Ensaios de teoria do jornalismo
de Wilson Gomes
Série Jornalismo a Rigor - Volume 1
Florianópolis, Posjor/UFSC-Insular, 2009
ISBN: 978-85-7474-422-3
R$21,00
Dizer que a objetividade no Jornalismo não existe vem se tornando uma afirmação tão simplória quanto a crença em contrário que pretende criticar. Ao nos determos com mais atenção sobre o os conceitos de fato, de verdade, de perspectiva e de interesse, nos damos conta da complexidade destas questões que são centrais para a Teoria do Jornalismo. É o que faz este conjunto de textos do professor de Wilson da Silva Gomes, titular da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia. Aliando uma sólida formação filosófica com o bom senso de quem se debruça sobre o objeto de estudo sem preconceitos, este conjunto de ensaios avança em questões como os fundamentos morais da profissão, a ética jornalística e a opinião pública. São textos indispensáveis para quem procura superar as simplificações que tendem a povoar os imaginários profissional e acadêmico sobre o Jornalismo e a Mídia.
Pedidos podem ser feitos Pedidos por meio do email:
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