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22 de fev. de 2010

Sobre Leões e Cordeiros

Instigante esse Leões e Cordeiros, dirigido por Robert Redford e com Meryl Streep e Tom Cruise no elenco.

Fala de posicionamentos, mas também da ausência de.

No que diz respeito específico ao jornalismo, explora aspectos como o custo da proximidade e o que se faz da opinião quando o assunto é jornalismo político nos dias que se seguem.

O pano de fundo é a guerra no Afeganistão, vista da perspectiva de uma jornalista (Meryl Streep), de um político (Tom Cruise) e de um professor (Robert Redford).

Filme bom para ser trabalhado em aula; com certeza rende boas discussões.

A ficha (Adoro Cinema):

Título original:Lions for Lambs
Gênero:Drama
Duração: 1h31
Ano de lançamento: 2007
Site oficial: http://microsites2.foxinternational.com/br/leoesecordeiros/
Estúdio: United Artists/Cruise/Wagner Productions/Brat Na Pont Productions/Andell Entertainment/Wildwood Enterprises
Distribuidora: 20th Century Fox Film Corporation
Direção: Robert Redford
Roteiro: Matthew Michael Carnahan
Produção: Matthew Michael Carnahan, Tracy Falco, Andrew Hauptman e Robert Redford
Música: Mark Isham
Fotografia: Philippe Rousselot
Direção de arte: François Audouy
Figurino: Mary Zophres
Edição: Joe Hutshing
Efeitos especiais: Tweak Films/Industrial Light & Magic/NAC Co. Effects & Prop Animation/New Deal Studios

12 de fev. de 2010

Ao vivo de Bagdá

Aos que, como eu, têm nos filmes um importante suporte didático às aulas de jornalismo, algumas palavras a respeito de Ao vivo de Bagdá, de Mick Jackson e com Michael Keaton e Helena Carter no elenco.

Sobre a invasão do Iraque pelos Estados Unidos, na década de 90, e a cobertura realizada pela CNN àpoca.


Ilustra bem, por exemplo, alguns aspectos (na verdade, dificuldades) do trabalho jornalístico, em especial a relação entre repórter/fonte; repórter/repórter e repórter/instituição jornalística.

No caso repórter/fonte, as implicações éticas e morais da aproximação, que, não raro, coloca em risco a vida/integridade de quem é entrevistado, mas também manipula o primeiro.

A aproximação repórter/repórter é interessante, por outro lado, à medida que ambienta as tensões inerentes a um cenário de cobertura múltipla, com as inevitáveis disputas pelo furo e os conflitos interpessoais, passionais ou não, entre colegas da mesma equipe/emissora.

Nesse sentido, vale destacar, no filme, a presença institucional das emissoras, ou seja, a relação entre jornalista e a empresa para quem trabalham: pressões, frustrações, erros etc.

Isso para ficarmos em alguns dentre tantos aspectos interessantes de se trabalhar em aula a partir do Ao vivo em Bagdá: vale para as disciplinas de técnicas de reportagem, tevê, jornalismo internacional, ética etc.

O filme falha, no entanto, à medida que empresta à CNN uma dimensão, digamos, épica, e esquece, por exemplo, que não foi deles o furo do bombardeio à Bagdá de Saddam Hussein, mas sim de Carlos Fino, à época repórter da RTP, de Portugal.

Saiba um pouco mais sobre isso nesta entrevista que Fino concedeu a Silvia Moretzohn, veiculada no Observatório de Imprensa e cujo conteúdo pode ser conferido no livro A guerra ao vivo (Verbo, 2003).

De qualquer sorte, a quem não o fez, recomendo que assista o filme.

A ficha técnica (Adorocinema):

Título original:Live From Baghdad
Gênero:Drama
Duração: 1h49min
Ano de lançamento:2002
Estúdio:HBO Films / Industry Entertainment
Direção: Mick Jackson
Roteiro:Robert Wiener, Richard Chapman, John Patrick Shanley e Timothy J. Sexton, baseado em livro de Robert Wiener
Produção:George W. Perkins
Música:Steve Jablonsky
Fotografia:Ivan Strasburg
Direção de arte:Ahmed Abounouom e Matthew C. Jacobs
Figurino:Louise Frogley
Edição:Joe Hutshing
Efeitos especiais:Radium Inc./Spectrum Effects Inc.

15 de jul. de 2009

Sobre pais, filhos & professores

19 de fev. de 2009

Para (re) pensar o magistério

O Curso de Comunicação da Unisinos, onde também leciono, abriu o semestre nesta quarta-feira com uma palestra da professora-doutora Maria Isabel da Cunha, fundamental quando o assunto é ensino, em nosso caso de jornalismo. Por cerca de duas horas, a professora do pós em Educação da Unisinos, com ênfase em ensino posterior, discorreu, em primeiro lugar, a respeito da evolução do ensino em nível universitário no Brasil, mas também - e chegamos ao que interessa - ao conhecimento que forma o professor universitário.
A conclusão, claro, é que a prática do ensino não é incentivada em nível de mestrado e doutorado, haja vista que a ênfase de ambas as instâncias é na pesquisa. Digo isso com muita tranqüilidade: no meu mestrado havia uma disciplina de prática de sala de aula. No doutorado, o assunto passou batido. Por outras palavras, equivale a dizer que o professor, na pós-graduação, se faz professor na prática, mas não aprende formalmente a sê-lo. Não estuda didáticas, técnicas de avaliação: tudo é na base da intuição, do aprender fazendo.
Se o sujeito possui experiência na área que conhece, e no jornalismo não é possível imaginar um professor que não tem experiência, metade do problema está solucionado. Mas e o resto?
Outro ponto fundamental nas reflexões de Maria Isabel da Cunha disse respeito à questão da memória: via de regra, nós, professores, morremos com o conhecimento de exercício do magistério que aprendemos, como disse, na maior parte das vezes na prática. Ou seja, não publicamos nada; não dialogamos sequer com nossos pares, como se fosse uma vergonha falar de nosso próprio trabalho. E isso é ruim em muitos sentidos.