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25 de jan. de 2011

Em defesa dos adjetivos

Sempre tive cá com meus botões que adjetivos, via de regra, servem antes para disfarçar ausência de versatilidade narrativa que para dar cor ao texto, seja ele qual for.


O excerto abaixo, abertura da matéria "Em defesa dos adjetivos" (Piauí, edição 52), coloca uma interrogação nessa certeza já a partir da linha de apoio: "Ditadores e generais costumam dispensar tudo o que não seja verbo e substantivo".

O texto:

"Muitas vezes nos mandam cortar nossos adjetivos. O bom estilo, conforme dizem, sobrevive perfeitamente sem eles; bastariam o resistente arco dos substantivos e a flecha dinâmica e onipresente dos verbos. Contudo, um mundo sem adjetivos é triste como um hospital no domingo. A luz azul se infiltra pelas janelas frias, as lâmpadas fluorescentes emitem um murmúrio débil."

Faltou dizer que, para usar adjetivos, é preciso habilidade, capacidade de escrever.

Mas também está dito no texto de Adam Zagajewski, lá pelas tantas, que "A memória é feita de adjetivos."

Que se adjetive, então.

23 de out. de 2009

Em defesa do romance

Há um bocado de coisas que a gente faz nesta vida sem saber exatamente por quê, ainda que desconfie, basicamente porque nos sentimos bem.

Assistir ao pôr do sol, por exemplo (esquece o Guaíba por um segundo e se concentre apenas no sol se pondo, por favor): há coisa mais sem sentido que o ocaso e, ao mesmo tempo, mais deslumbrantemente bela, à revelia de onde se esteja?

Ou, como diria Walt Whitman, há algo mais ou menos profundo que um toque?

Com a literatura ocorre algo parecido.

Claro que, em especial para nós, jornalistas, ler é fundamental, pois amplia o vocabulário, empresta mais riqueza às construções frasais e estilísticas e tudo o mais.

Mas e o que dizer da leitura dos romances per sí, ou seja, sem nenhuma intenção de uso que não o prazer das palavras?

Para escritores do porte de Mario Vargas Llosa, com os quais eu concordo, ler um romance, além de ser extremamente prazeroso (falo dos bons romances), nos torna mais humanos.

Basicamente porque é em textos assim que encontramos a essência do que somos, a exemplo do que ocorre quando o sol de põe no horizonte e cobre de vermelho nossos braços.

Leia o que Vargas Llosa pensa a respeito do assunto no ensaio Em defesa do romance, publicado na Piauí deste mês.