Mostrando postagens com marcador cântico da madrugada vazia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cântico da madrugada vazia. Mostrar todas as postagens

16 de ago. de 2009

O canto que canto

meu canto
é o canto que canto
quando sozinho estou.

é o delírio rouco da garganta
que o fio da faca ceifou.

o canto que canto
é mais susto que espanto:

faz pensar

onde me encontro
quando longe daqui estou,

cantando o canto que canta
a voz louca do anjo
que sou.

7 de ago. de 2009

Uma bala para vladimir















você tem razão
quando diz, vladimir,
que nesta vida
morrer não é difícil;
difícil é a vida
e seu ofício.

eu, o poeta dos versos vazios,
o asceta das palavras fáceis
e dos gestos sem brio,

penso que tudo soa sempre
como uma brincadeira
em que eu e tu, feito crianças,
somos o castelo e a areia.

não há mais tempo para os cafés,
para a vódica no refrigerador,
para a bagana jogada no chão,
para o beijo, para o rancor.

estamos mortos, vladimir.

permita que eu pegue em sua mão.

1 de ago. de 2009

poema à luz de alberto caeiro

a primavera
não precisa de mim.

não há diferença
em eu ter nascido

ou não.

sou um acontecimento
sem lugar.

11 de jun. de 2009

inconveniência

a luz débil do sol
que pela vidraça
entra

não faz
com que anjos
da noite despertem

nem que sonhos
se tornem
realidade

apenas ilumina

7 de jun. de 2009

O poema por inteiro

escrevo aqui
o poema derradeiro.

o poema torto, sem jeito:
o poema parido com defeito.
o poema que não sabe ser direito.

escrevo aqui
o poema sem calma,
o poema de minha’lma.

escrevo aqui, enfim,
o poema mais inteiro:
aquele que nasce primeiro.