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2 de jan. de 2010

O ponto-e-vírgula vive!

Aos que, como eu, não conseguem viver sem alguns sinais de pontuação, caso do ponto-e-vírgula, recomendo a leitura da coluna de Zero Hora O prazer das palavras deste sábado, O ponto-e-vírgula vive!, de autoria de Cláudio Moreno.

Trata-se da continuação de um texto veiculado no mesmo jornal a 12 de dezembro de 2009, homônimo.

Tipo assim: você pode não gostar do ponto-e-vírgula; simplesmente não usá-lo,ou, ainda, ignorá-lo propositalmente.

É seu direito.

Complicado é compreender porque algumas pessoas o combatem, como se ele fosse efetivamente uma espécie de mal a ser extirpado.

Do trema falo mais adiante.

18 de out. de 2009

Como não se faz uma legenda

Quer saber como não se faz uma legenda?

Dê uma espiada no retrato principal da página 24 de Zero Hora deste domingo.


A foto (dá um clique nela que você enxerga melhor) da página mostra, claramente,

a) uma mulher caminhando no meio da rua

b) mendigos na calçada

e, finalmente,

c) pichações políticas no muro (só a palavra golpista está escrita duas vezes, de onde se infere que o assunto é política).

O que diz a legenda?

Ipsis literis: "Mulher caminha pelo meio da rua enquanto pedintes ficam na calçada, à frente de pichações políticas".

Ou seja, seu burro, caso você não tenha notado, trata-se de uma mulher caminhando no meio da rua enquanto pessoas pedem esmola na calçada, à frente de um muro onde existem pichações políticas.

26 de jul. de 2009

A saia justa de Obama


Pra fechar o domingo, reproduzo abaixo, por relevante, entrevista que Rodrigo Lopes, de Zero Hora, fez com Jason Reed, fotógrafo da Reuters. A entrevista diz muito, inclusive sobre o processo de edição em fotografia. Confiram:

"Aos 38 anos, o fotógrafo Jason Reed, da agência de notícias Reuters, já cobriu a tragédia do furacão Katrina, em New Orleans, em 2005, o terremoto que atingiu a região de Gujarat, na Índia, em 2001, e esteve no Afeganistão e no Iraque. Mas nenhuma de suas imagens alcançou tanta repercussão quanto a que ele fez no dia 9 passado, durante a última reunião do G-8, em L’Aquila, na Itália. Ao apontar sua câmera Canon EOS-1 Mk III para os líderes dos países, observou pelo visor Barack Obama, Nicolas Sarkozy e Luiz Inácio Lula da Silva. Fez cerca de cem, talvez 200, imagens naquela manhã sem perceber nada diferente.

Horas depois, o olhar experiente do seu editor captou, dentre tantas fotos, aquela que ganharia o mundo e abriria uma polêmica: o milionésimo segundo em que Obama supostamente olha para o bumbum da brasileira Mayara Rodrigues Tavares. Há seis anos no seleto grupo de fotógrafos que cobrem a Casa Branca, Reed contou a Zero Hora como foi o flagrante:

Zero Hora – Como foi feita a fotografia?
Jason Reed – A foto era apenas mais uma das várias “fotos de família” dos líderes do G-8 reunidos. No final dos dois minutos de tempo que tínhamos para fazer as imagens, todos nós, cerca de cem fotógrafos, voltamos ao centro de imprensa. Entreguei o cartão de memória da máquina com todas as fotos ao nosso editor de Fotografia, Mal Langson, um veterano fotógrafo da Reuters. Mal tem um olhar aguçado e é muito respeitado em nosso meio. Ele olhou todas as milhares de imagens que fizemos, e sua habilidade para fixar o momento é extraordinária. Deixei o cartão de memória com ele e fui fotografar outras dezenas de eventos. Aí recebi uma ligação de Mal, pedindo que o encontrasse. Ele queria me mostrar uma foto. Era uma imagem, uma fração de segundo em uma pequena sequência tirada com a câmera programada para bater 10 fotos por segundo.

ZH – Você percebeu o suposto olhar de Obama para a brasileira?
Jason Reed – Quando eu estava fotografando, não percebi que havia aquele momento entre as cem, 200 imagens que fiz lá. Eu não estava conscientemente observando Obama olhando para Mayara Tavares. Ele estava descendo um degrau, para ficar no mesmo nível de Nicolas Sarkozy. Se o presidente Obama está se movendo para qualquer lugar, tenho minha câmera apontada para ele. Estou sempre esperando qualquer coisa acontecer. Ele pode cair ou tropeçar, absolutamente qualquer coisa pode acontecer, e o meu trabalho é registrar isso.

ZH –
Você viu o vídeo que foi divulgado após a sua foto, em que Obama aparece ajudando uma mulher atrás dele e que, segundo muitos, mostra que ele não estaria olhando para a brasileira? Você acha que o presidente estava mesmo olhando para a Mayara?
Reed – Assisti ao vídeo dezenas de vezes. Mal e eu não tínhamos o luxo do replay e, naquele momento, pensamos que a foto era um inofensivo e até divertido momento que poderia ter algum valor noticioso. A foto foi enviada para a rede de assinantes da Reuters no Brasil e em todo o mundo. Não sabíamos a identidade de Mayara até que alguns clientes mais tarde nos contatarem, perguntando quem era a jovem. Eu voltei a olhar minhas fotos anteriores, na sequência, e vi que ela estava usava um crachá com seu nome. Então, ficou fácil identificá-la.

ZH – Você tem outras fotos daquele exato momento que não foram publicadas?
Reed – Existem apenas uma ou duas imagens daquela sequência em particular, nenhuma capaz de provar exatamente se Obama estava olhando para a jovem.

ZH – Ao olhar pela primeira vez a foto, você pensou que a imagem teria a repercussão que teve?
Reed – Assim que vi a imagem pela primeira vez, na tela do computador de Mal, pensei que isso criaria alguma excitação, mas não a controvérsia que foi criada. Eu acho que foi engraçado, porque foi uma fração de segundo. Espero que Mayara se torne famosa no Brasil por todas as coisas boas que ela tem feito pelo seu país, como participar da cúpula do G-8, e não apenas por causa da publicidade de uma foto.

ZH – Você teve contato com assessores de Obama após a foto? O que eles acharam da imagem?
Reed – Na manhã seguinte, estava um pouco incômodo para mim porque, na madrugada nos EUA e no Brasil, a foto foi vista em todos os lugares. Instantaneamente, tornou-se a foto mais vista e comentada no site Yahoo. O site americano Drudgereport.com a colocou no topo por mais de 24 horas. Eu sabia que esse tipo de fotografia iria me tornar impopular na Casa Branca. Perguntas do tipo “Como você pode tirar aquela foto?” e “Por que você está fazendo nosso presidente parecer tão mau?” me foram feitas. Mas eles continuaram permitindo que eu entrasse no Air Force One com o presidente para a viagem à África. Então, não foi tão mal. Eles são profissionais e sabem que, em uma imprensa livre, não há controle de imagem. Por outro lado, meus colegas estão chamando a imagem de foto do ano. No final do dia, a Reuters podia se orgulhar de ser independente. Nós não respondemos a nenhum governo ou outra organização. Essa foto reflete essa crença."

11 de jun. de 2009

Em algum lugar do passado

A foto registra a cobertura daquele que é considerado ainda hoje o maior seqüestro ocorrido no Rio Grande do Sul, e que tive a sorte de cobrir pela Zero Hora por três longos e estafantes meses, em 1994. Quem deu a notícia, em primeiro lugar, de que o garoto Marcelo da Rocha Alifantis havia desaparecido da casa onde morava, no Bairro Hércules, em Canoas, foi o jornal Diário de Canoas, local. A Zero e os demais veículos entraram na cobertura logo em seguida. Do garoto, creio que com 13 anos à época, sabe-se até hoje, com certeza, que um dia ele saiu de casa e não mais voltou. A foto, de Antônio Pacheco, registra o momento em que estou entrevistando Anastácios Alifantis, pai de Marcelo, em um dos raros momentos que ele saía de casa para dar entrevista aos repórteres que faziam plantão diante de sua casa.

28 de mai. de 2009

Jornalista da ZH palestra na Unisc

Na quarta-feira o amigo, colega e ex-aluno da Unisc, onde também leciono, Mauro Graeff Júnior, esteve visitando a turma de Técnicas de Reportagem do curso de Jornalismo. Foi uma manhã muito produtiva, repleta de intervenções por parte dos alunos e relatos de experiências de natureza jornalística, e que certamente ficará marcada na memória da gurizada, por boa.

Em termos de currículo, Mauro se formou pela Unisc em 2003. Começou a trabalhar no jornal O Correio, de Cachoeira do Sul; depois, Jornal de Candelária, de Candelária; NH, de Novo Hamburgo, e está desde 2005 na Zero Hora, entre sucursais do interior e capital. Ganhou cinco prêmios jornalíticos, entre estes o CHN de Jornalismo Econômico e o ARI de 2007.

Na foto, estou entregando um pouco de nossa produção acadêmica na Unisc, neste caso exemplares do jornal-laboratório Unicom e da Exceção, além de um exemplar do livro Edição de Imagens em Jornalismo (Edunisc, 2008).