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21 de dez. de 2009

O Racionais MC's está se midiatizando?

A edição 39 da Rolling Stone chegou às bancas com uma surpresa muito legal. E com uma decepção na mesma proporção. Refiro-me à matéria Eminência Parda, com ninguém menos que Mano Brown, o líder do pra lá de bom Racionais MC's.

O muito legal fica por conta do repórter André Caramante e do fotógrafo Rui Mendes terem conseguido desentocar uma das figuras mais avessas à mídia do cenário musical brasileiro, à revelia do gênero. E terem realizado, com ela, total de 15 horas de entrevistas durante quatro encontros, mais sessões de foto e audiências de músicas inéditas.

O broxante fica por conta do fato de Mano Brown, pra quem não lembra, sempre ter dito que era contra a grande mídia, que não dava entrevista, que estava se lixando pra isso e pra aquilo e blá, blá, blá. No entanto, não há uma linhazinha sequer sobre o because da coisa; sobre o por que de ele ter ficado tanto tempo em silêncio e finalmente decidido falar. No máximo, ao final do segundo parágrafo, um prosaico "É a hora! Tenho coisas pra falar: querem me ouvir, vou falar."

Não que a matéria seja ruim, afinal é da RS que estamos falando, apesar da diagramação, como sempre pesada. O que vemos, nela, é uma espécie de "museu de grandes novidades", nas palavras de Cazuza, em que o Mano Brown reflete sobre seu caminho, sua vida, a dos que lhe são próximos e por aí afora.

Nada que não se saiba, nada que não se imagine.

Chato que sou, acho mesmo é que o líder dos Racionais se ligou no lance e se deu conta que ser conhecido com grana é ainda melhor que sê-lo por meio de cópias piratas nas bancas dos camelôs. E que, para isso, algum sacrifício é necessário.

Acho mesmo é que o Racionais MC's está se midiatizando, a exemplo do que já fez desde há muito MV Bill, mas esta é outra história.

30 de jul. de 2009

As melhores entrevistas da Rolling Stone


A sugestão de leitura da semana é o livro Rolling Stone: as melhores entrevistas da revista Rolling Stone (LAROUSSE, 2008), cujo nome/importância no cenário jornalístico dispensa apresentações. Bueno, penso que vale a pena pagar os tais R$ 55,90 pelas 445 páginas do livro, mais capa e contra, por vários motivos.

A começar, claro, pelo fato de estarmos falando da Rolling Stone. Mas também porque encontramos, nele, entrevistas com gente do porte de Truman Capote (entrevistado por Andy Warhol); Joni Mitchell (por Cameron Crowe); Tom Wolfe (por Chet Flippo); Spike Lee (por David Braskin), e assim por diante.

As entrevistas ganham mais valor porque são, em sua maioria, de outros tempos, o que nos permite saber, por exemplo, de um Francis Coppola de 1979 falando ao repórter Greil Marcus de Apocalipse Now, um "filme complicado".

A única ressalva é que, na edição, deixaram para trás o lead das entrevistas. Ou seja, os textos partem do título diretamente às perguntas/respostas, o que é ruim sobre vários aspectos. Mas tudo bem. Compre o livro. Leia-o. Vale a pena.

A edição é de Jann Wenner (fundador e editor da Rolling Stone) e Joe Levy (editor-executivo da revista).